Oposição avança em força para a limpeza dos restos da campanha eleitoral, como a lei exige

(UNITA)

A propaganda eleitoral colocada pelos partidos políticos da oposição durante o período da campanha eleitoral já começou a ser removida em todo o país, como a lei exige que seja feito até 23 de Setembro, depois de o MPLA ter assumido esse compromisso pela voz de João Lourenço, o Presidente da República eleito.

Segundo apurou o Novo Jornal Online, as administrações municipais e distritais receberam ordens para aplicar as medidas previstas no artigo 178º da lei Orgânica das Eleições Gerais, que prevê multa de 25 mil a 150 mil kwanzas para os concorrentes que removerem a propaganda depois do prazo ou não o fizerem de todo.

Em algumas ruas, a propaganda eleitoral começou já a ser removida, mas com sinais ainda bem visíveis das marcas que a publicidade partidária deixou nas paredes das avenidas das cidades, com destaque para Luanda, onde ainda estão milhares de bandeiras a esvoaçar.

A Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais estabelece que os partidos políticos e coligações de partidos devem recolher os cartazes e bandeiras colocados durante o período da campanha até 30 dias após a realização das eleições.

O presidente da Aliança Patriótica Nacional (APN), Quintino de Moreira, garantiu que os seus militantes já começaram a retirar a publicidade partidária. “A Lei é para ser respeitada. Já temos equipas organizadas para essa actividade”.

O secretário Nacional da JFNLA, Kiaku Samuel Kiala, confirmou também a Novo Jornal Online, que o seu partido já começou a recolher a propaganda eleitoral em todo o país.

“Antes do prazo vamos remover, a propaganda que será bem conservada para futura reutilização”, resumiu.

A campanha de recolha da propaganda eleitoral da UNITA está a ser desenvolvida por membros da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA) e voluntários.

“O trabalho já iniciou. Vamos cumprir com as orientações”, disse António Caldeira Baptista, membro da JURA.

O membro do PRS, Santana Suca, referiu que o seu partido não vai desrespeitar o prazo para retirada de propaganda eleitoral.

“Isso foi avisado. Antes mesmo da campanha eleitoral, ou seja, durante todo processo eleitoral todos estavam cientes da obrigatoriedade da retirada das propagandas”, frisou.

Armando Fernando Niema, membro da CASA-CE confirmou que a propaganda eleitoral da coligação também já está a ser removida.

“O que nos preocupa é a Comissão Nacional Eleitoral e os resultados eleitorais duvidosos. De resto, a recolha do material é um processo simples”, disse.

Segundo apurou o Novo Jornal Online, as administrações municipais e distritais vão punir os partidos e coligações de partidos que mantiverem nas ruas a propaganda eleitoral afixada durante a campanha eleitoral.

Recorde-se que na segunda-feira, urante as comemorações da vitória do MPLA, na sede do partido, o Presidente da República eleito, João Lourenço, deu instruções para a retirada da propaganda eleitoral das ruas – e em força – decisão que permitirá, por exemplo, “reciclar” os materiais.

O vice-Presidente do MPLA e Presidente da República eleito – segundo os resultados definitivos das eleições gerais de 23 de Agosto -, deixou claro, durante as comemorações da vitória eleitoral do partido no poder, que pretende combater o desperdício através de uma gestão mais eficiente dos recursos.

À margem do discurso de vitória, João Lourenço lembrou que as bandeiras e cartazes alusivos à campanha eleitoral já deveriam ter começado a ser retirados, tendo orientado para a sua remoção sem mais demoras.

Com esta medida, o sucessor de José Eduardo dos Santos acredita que o partido não só demonstra a sua capacidade organizativa como poderá poupar, permitindo o aproveitamento futuro de alguns materiais de campanha.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) divulgou na semana passada, os resultados definitivos das eleições gerais de 23 de Agosto confirmando a vitória folgada do MPLA e do seu candidato a Presidente da República, João Lourenço, com 61,07%, o equivalente a 4 164 157 votos, elegendo 150 deputados, o que lhe confere uma maioria qualificada na Assembleia Nacional.

A UNITA e o seu candidato à Presidência da República, Isaías Samakuva, ficou em segundo lugar com 26, 67 por cento, o que corresponde a 51 deputados.

Em terceiro ficou a CASA-CE, que propunha Abel Chivukuvuku para a chefia do Estado, com 9, 44 por cento, e 16 deputados.

Segue-se o PRS, com 1, 35 por cento, com dois deputados eleitos, a FNLA com 0, 83 e um deputado eleito. (Novo Jornal)

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