ONU alerta para possibilidade de “limpeza étnica” do povo rohingya

(Reuters)

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, disse hoje que a forma como a Birmânia está a tratar a minoria muçulmana rohingya aparenta “um exemplo clássico de limpeza étnica”.

“A Birmânia tem recusado o acesso dos inspectores (da ONU) especializados em direitos humanos. A avaliação actualizada da situação não pode ser integralmente realizada, mas a situação parece ser um exemplo clássico de limpeza étnica”, disse Zeid Ra’ad Al Hussein na abertura da 36.ª sessão do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas, em Genebra.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Rakhine, Birmânia, onde sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012.

Mais de 120 mil pessoas encontram-se a viver em 67 campos de deslocados.

A violência registou uma escalada desde o ataque, no passado dia 25 de Agosto, contra três dezenas de postos da polícia pela rebelião, o Exército de Salvação do Estado Rohingya (Arakan Rohingya Salvation Army, ARSA), que defende os direitos dos rohingya.

A ONU estima que mais de um milhar de pessoas, da minoria muçulmana rohingya, podem ter morrido devido à violência no estado de Rakhine, um número duas vezes superior às estimativas birmanesas.

As autoridades da Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhecem cidadania aos rohingya, uma minoria apátrida considerada pelas Nações Unidas como uma das mais perseguidas do planeta.

Mais de 300 mil refugiados da minoria muçulmana rohingya chegaram ao Bangladesh desde o dia 25 de Agosto, fugindo à violência no oeste da Birmânia.

O governo do Bangladesh assinalou que, segundo “informações extraoficiais”, mais de 3.000 rohingya foram mortos na ofensiva militar no estado de Rakhine, desencadeada após o assalto a postos policiais lançado por um grupo de rebeldes muçulmanos. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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