Militantes querem avançar para manifestação, apesar dos apelos de Samakuva

Adeptos da UNITA ostentando o famoso galo negro. (AFP)

As declarações do líder da UNITA, Isaías Samakuva, quando ontem pediu calma aos militantes e simpatizantes do partido em reacção aos resultados definitivos das eleições gerais de 23 de Agosto incomodaram as bases que exigem a realização “urgente” de uma manifestação para demonstrar à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) que prejudicou o “partido do Galo Negro”.

Não nos precipitemos na tomada de posições. Não incorramos em actos que possam provocar situações ainda mais difíceis do que as que estamos a viver neste momento. Nós é que estamos a defender a lei, e ela permite-nos várias formas de luta. São essas formas que iremos utilizar”, disse Samakuva aos seus militantes.

Mas os militantes não estão calmos, como constatou o Novo Jornal Online. Desde o primeiro minuto da sessão pública de esclarecimento, em que foi lida uma declaração política sobre os resultados apresentados pela CNE, o tom dos protestos foi aumentando, desde logo com a exigência de que a TPA, Televisão Pública de Angola abandonasse as instalações do SOVISMO. “TPA fora”, gritavam os militantes da UNITA, enquanto Isaías Samakuva pedia calma aos seus militantes, dizendo: “Eles (os jornalistas) não têm culpa. Eles estão aqui para ganhar o pão de cada dia. A culpa é dos chefes deles”.

A indignação dos militantes acompanhou durante todo o discurso de Samakuva, embora também haja quem considere que os apelos do Presidente do partido à calma “são palavras de um líder exemplar” e “que a democracia é um bem necessário para o nosso martirizado Povo”

No entanto, na opinião de Erasmo da Costa, “a manifestação é o caminho ideal para dar conhecer à comunidade nacional e internacional que a CNE é um órgão adstrito ao partido no poder”.

“Nas últimas eleições gerais de 2008 e 2012, a CNE sempre roubou os votos da oposição para ajudar o MPLA. Neste último pleito a história repetiu-se. Quando é que vão parar com essa brincadeira?”, questionou.

Pedro Neves diz que “os militantes votaram na mudança, mas os resultados contrariam o que pensavam”. “Votámos na UNITA e no seu líder. Estamos indignados com as declarações do nosso líder, porque o nosso objectivo é de nos manifestarmos face aos resultados apresentados pela CNE”, lamentou.

O militante Armando Sampaio espera pelo recurso aos tribunais e, caso o processo seja indeferido, o caminho que defende é o da manifestação. “Basta de brincadeiras de mau gosto. Não vamos continuar a engolir sapos toda a vida”, avisou.

Alcides Sakala, porta-voz da UNITA, explicou ao Novo Jornal Online que estão a mobilizar os seus militantes para terem calma, porque o processo ainda não teve o desfecho final.

“Ele sabem que votaram para haver mudança. Sentem-se injustiçados com os resultados que a CNE divulgou”, resumiu Sakala.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) divulgou na quarta-feira os resultados definitivos das eleições gerais de 23 de Agosto, confirmando a vitória folgada do MPLA e do seu candidato a Presidente da República, João Lourenço, com 61,07%, o equivalente a 4 164 157 votos e 150 deputados, o que lhe confere uma maioria qualificada na Assembleia Nacional.

A UNITA e o seu candidato à Presidência da República, Isaías Samakuva, ficou em segundo lugar com 26, 67 por cento, o que corresponde a 51 deputados.

Em terceiro ficou a CASA-CE, que propunha Abel Chivukuvuku para a chefia do Estado, com 9, 44 por cento, e 16 deputados.

Segue-se o PRS, com 1, 35 por cento, com dois deputados eleitos, a FNLA com 0, 83 e um deputado eleito.

A APN não elegeu qualquer deputado, tendo conseguido apenas 0, 51 por cento. (Novo Jornal Online)

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