Lourenço acusa oposição de ter pretendido “incitar à desobediência civil” mas abre a porta ao diálogo

João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República (Foto: Francisco Miudo)

O primeiro discurso do Presidente eleito, João Lourenço, ataca a oposição, a quem acusa de ter procurado “incitar à desobediência civil”, ao mesmo tempo que abre uma porta para o diálogo com todas as forças políticas do país.

Menos de uma hora depois de terem sido divulgados os resultados oficiais das eleições gerais de 23 de Agosto, confirmando a esmagadora vitória do MPLA e de João Lourenço, o Presidente eleito de Angola foi duro na forma como se dirigiu aos outros concorrentes, a quem acusou, sem mencionar nomes, de não respeitarem “a vontade popular expressa nas urnas”.

O candidato do MPLA, cuja candidatura chegou à maioria qualificada ao conseguir eleger 150 deputados dos 220 em disputa para o Parlamento e 61, 07% dos votos, depois de falar da tentativa de despoletar uma onda de desobediência civil por parte da oposição, apesar de os principais partidos, como a UNITA terem reafirmado por diversas vezes os apelos à calma e ao respeito pela lei, não deixou de mostrar o caminho da estabilidade política ao convidar os derrotados para a cerimónia da sua tomada de posse.

Mas antes disso, logo após a divulgação dos resultados oficiais pela Comissão Nacional Eleitoral, onde a UNITA fica com pouco mais de 26,6 por cento e a CASA-CE escassos 9,4, Lourenço acusou, dando uma no cravo e outra na ferradura, estas forças políticas de terem entendido “haver formas ilegais de anular a vontade popular” manifestada nas urnas.

Isto, ao mesmo tempo que lhes agradecia “pela sua participação no processo eleitoral”, prometia disponibilidade para o diálogo, colocando apenas como condição que esse diálogo sirva para engrandecer o país, começando desde logo pelo convite para se juntarem à cerimónia de investidura para a qual se devem desde já sentir “seguramente convidados” porque isso “contribuirá para este ambiente de concórdia” que quer “incentivar e praticar”.

Esta primeira intervenção de João Lourenço, com o seu Vice-presidente eleito ao lado, Bornito de Sousa, serviu ainda para reafirmar o seu empenho em “afastar as práticas e comportamentos reprováveis” que considera terem sido a razão da elevada abstenção para os padrões angolanos e que quer resolver através da governação nos próximos cinco anos.

Deixou como recado para quem não aceita os resultados a forma como a comunidade internacional afirmou a forma livre e a justiça e a transparência do acto eleitoral, ressalvando todavia “alguns casos prontamente identificados, condenados e repudiados pela sociedade”.

Perfil de João Lourenço

O novo Presidente da República, ex-ministro da Defesa, é amplamente reconhecido pela participação na primeira e segunda Guerra de Libertação Nacional.

Filho de uma costureira do Namibe e de um enfermeiro de Malanje que lutou pela Independência nacional na clandestinidade, ambos já falecidos, João Gonçalves Lourenço nasceu a 5 de Março de 1954 na Cidade do Lobito, província de Benguela.

De acordo com a biografia oficial disponibilizada pelo Ministério da Defesa, o sucessor de José Eduardo dos Santos fala várias línguas – além de português, inglês, russo e espanhol – e tem como passatempos a leitura, o xadrez, e a equitação.

Pai de seis, o novo Presidente da República é casado com a economista Ana Dias Lourenço, ex-ministra do Planeamento que no final do ano passado regressou de uma missão no Banco Mundial.

Titular da patente de general de três estrelas na reserva, o número dois do MPLA é amplamente reconhecido pela participação na primeira e segunda Guerra de Libertação Nacional, na Segunda Região Político Militar.

Com formação militar obtida na antiga União Soviética entre 1978 e 1982, João Lourenço também concluiu aí o Ensino Superior em Ciências Históricas.

As suas credenciais incluem o cargo de chefe da Direcção Política Nacional das ex-FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola), bem como as funções de secretário do Bureau Politico para a informação, exercidas entre 1991 e 1998.

O Presidente da República eleito também desempenhou as funções de 1º secretário provincial do MPLA e de comissário (governador) das províncias do Moxico e de Benguela, respectivamente.

Foi ainda presidente da Comissão Constitucional da Assembleia Nacional, presidente da Comissão Constitucional, membro da Comissão Permanente, presidente do Grupo Parlamentar do MPLA e 1.º vice-presidente da Assembleia Nacional.

Membro do Bureau Político do MPLA, João Lourenço foi nomeado ministro da Defesa Nacional em 2015, e eleito para o cargo de vice-presidente do partido na sequência do seu VII Congresso Ordinário, realizado em Luanda, de 17 a 20 de Agosto de 2016. (Novo Jornal Online)

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