Guiné-Bissau: Sotramar, mais um empresa que não paga salários

(DW)

Sotramar deve um total de 33 meses de salários aos seus trabalhadores. Estes, acusam a empresa marítima de má gestão, mas a direção refuta acusações. População está em dificuldades porque barcos da empresa estão parados.

Os funcionários da empresa marítima Sotramar pedem a demissão da atual direção, a quem exigem o pagamento de oito meses dos salários em atrasos.

O porta-voz dos trabalhores, Veríssimo Batista, revela que “desde que o novo diretor assumiu a empresa, não pagou sequer um mês de salário” e ele ameaça: “Já temos oito meses [de salário] em atraso. Se dentro de 15 dias Sirma Seidinão pagar os ordenados, vamos realizar uma vigília em frente ao Ministério dos Transportes e igualmente pedir a sua demissão.”

E incomformado Batista diz: “Só em dois messes, junho e julho, durante a campanha de cajú, conseguimos arrecadar mais de 13 milhões de francos CFA (cerca de 29 mil euros). O montante geral do nosso salário é mais de 8 milhões (cerca de 17 mil euros), ele podia nos ter pago.”

O porta-voz dos funcionários denuncia ainda uma alegada venda do navio “Bária” a um consórcio espanhol. Ele explica que “na Guiné-Bissau os boatos acabam por ser verdade. O espanhol quando chegou disse que já comprou o barco Bária. Esta informação foi mesmo reconfirmada pelos seus funcionários.”

E Batista especula: “Ouvimos dizer que o espanhol ao comprar o barco não vai indemnizar os funcionários e muito menos pagar os salários.”

Sotramar justifica

Ouvido pela DW África, o diretor-geral da Sotramar refuta todas as acusações e sustenta que a empresa está com enormes dificuldades “devido a improdutividade da própria empresa.”

Sirma Seidi esclarece que, as receitas coletadas não dão para pagar salários aos funcionários: “Neste momento, temos dois barcos que estão operacionais, mas estão parados por falta de rendimento.”

Para além disso, segundo Seidi, “devido à concorrência de uma empresa estrangeira, Consulmar que opera na mesma rota connosco, a Sotramar deixou de ter lucros, daí que decidiu parar os navios. O barco da Consulmar é mais rápido em relação ao da Sotramar, os passageiros optam mais para aquele.”

Sobre alegada venda do Navio “Bária”, Sirma Seidi refuta esta acusação: “Em nenhuma circunstância e em nenhum momento recebi orientações de quem quer que seja, sobre a necessidade de penhorar ou vender o património da Sotramar, sobretudo o nosso barco, nunca.”

Segundo o diretor da empresa, ” é normal esses tipos de boatos, sobretudo por parte dos trabalhadores que estão há muito tempo sem receber os seus salários.”

Fontes da Sotramar indicaram à DW África que já durante a gestão do Governo de transição que se seguiu ao golpe militar de 2012, os funcionários da Sotramar não receberam os seus salários durante 24 meses. Ao todo serão 33 meses de salários por receber.

Vidas continuam em risco

Enquanto isso, a população insular está a braço com dificuldades nas suas ligações quotidianas com o continente. A Guiné-Bissau, país com mais de oitenta ilhas e, sem meios de transportes adequados para fazer a ligação entre elas, levam os habitantes a recorrerem às pirogas, muita vezes, sem condições de segurança.

Esta situação, revela o Instituto Marítimo Portuário, já provocou incalculáveis perdas de vidas humanas. Devido a esta situação, o Governo liderado por Carlos Gomes Júnior, em 2011, criou a Sotramar, que colocou em circulação quatro navios. (DW)

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