Família dorme ao lado de mina antitanque activa há três anos sem saber

(Foto: Fernando Calueto)

Uma família de seis pessoas, quatro menores, vive há mais de três numa casa, situada nos Ramiros, município de Belas, em Luanda, onde está, mesmo ao lado da porta de entrada, uma poderosa mina antitanque pronta a explodir, o que só por muita sorte nunca aconteceu.

A habitação, no bairro Katapa, nos Ramiros, foi construída há pouco mais de três anos pela família, natural do Kwanza Sul, sem fazerem a mais pequena ideia de que tinham este engenho explosivo, mais que suficiente para matar todos os ocupantes da casa, enterrado mesmo ao lado.

A mina, que foi exposta por acaso quando a mãe das crianças, Domingas Benjamim, varria a porta da entrada, tendo despejado um pouco de água, o que acabou por expor o engenho.

Prontamente chamados ao local, a Polícia de Guarda Fronteira tomou conta da ocorrência, no dia 17 deste mês, mas só está prevista para amanhã, 01 de Setembro, a ida ao local de uma brigada de especialistas em minas e explosivos militares do Instituto Nacional de Desminagem (INAD).

Durante este tempo, como se pode ver na fotografia, a família e os vizinhos, por falta de alternativa, continuaram a viver nas mesmas casas, colocando apenas um tambor metálico sobre o engenho, rodeando-o, sem o fundo, podendo este ser visto espreitando apenas pela parte de cima.

Nas imediações do local onde esta a mina antitanque, para além da casa da família Benjamim, há outras seis habitações muito próximas, e dezenas no bairro, onde vivem centenas de crianças.

E o perigo esteve mesmo presente, porque, como conta o dono da casa, Carlos Benjamim, ainda tentou retirar o objecto pensando que era uma pilha, maior que as normais, chegando mesmo a bater com uma ferramenta, e só por sorte é que parou a tempo quando deu conta que aquele era um objecto estranho.

Chamou os vizinhos e foi um destes que o alertou para a possibilidade de se tratar de um explosivo.

Contactactado pelo Novo Jornal Online, o chefe do Departamento de Desminagem e Inovação tecnológica do INAD, Bernardo Gonçalves, disse que, apesar de perigoso, este é um trabalho, previsto para amanhã às 10:00, de remoção do engenho explosivo, que pode ser feito em condições de segurança. (Novo Jornal)

por Fernando Calueto

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