Brasil encerra 13 anos de missão de paz no Haiti

Militares brasileiros da Minustah no Haiti. (AFP/Hector Retamal)

O Brasil encerrou nesta quinta-feira (31) sua presença militar no Haiti, apesar da persistente pobreza e aumento da violência no país. Brasília liderou, durante 13 anos, a Missão das Nações Unidas para a Manutenção da Paz no Haiti (Minustah), criada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Desde 2004, quando se iniciou a missão do Brasil no Haiti, o país enviou 37,5 mil militares ao país. Além de soldados brasileiros, a Minustah contou também com militares da Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Filipinas, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Sri Lanka e Uruguai.

A ONU chegou ao Haiti em 1990 com uma missão de observação durante as primeiras eleições presidenciais, vencidas por Jean Bertrand Aristide, derrubado por um golpe militar no ano seguinte. As operações foram evoluindo até a Minustah ser criada, em 2004 – uma missão de paz que, segundo especialistas, chegou a reunir até 20 mil militares no terreno.

O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscando projetar o Brasil no cenário mundial e com ambições a um posto permanente no Conselho de Segurança, propôs o envio de um numeroso contingente. Uma partida de futebol que contou com célebres craques brasileiros da época, como Ronaldo, Ronaldinho e Roberto Carlos, inaugurou a operação e deu partida a uma célebre campanha de desarmamento no país, em agosto de 2004.

Terremoto obrigou o reforço da missão

A missão foi reforçada em 2010, devido ao terremoto que devastou o país, deixando 220 mil mortos e 2,3 milhões de desabrigados. Depois do terremoto, veio a epidemia de cólera, que matou mais de 9 mil pessoas, e em outubro de 2016, o furacão Matthew deixou 550 vítimas fatais. Apesar da série de catástrofes naturais, o contingente militar vinha sendo reduzido há quatro anos.

Com o fim da atuação da Minustah, os haitianos reassumem o controle da segurança pública no Haiti. Em entrevista à imprensa brasileira, o embaixador Paulo Cordeiro, que chefiou a presença brasileira em território haitiano até 2008, declarou que “é hora de o Haiti andar com as próprias pernas”. No entanto, 13 anos após o início da missão, a instabilidade, a miséria e a violência ainda são regra no país.

A Minustah será substituída pela Missão das Nações Unidas para apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH, na sigla em francês). Em nota, a ONU declarou que “o Haiti passará da estabilização para a construção institucional de longo prazo e desenvolvimento em estreita cooperação com a Equipe de País das Nações Unidas e outros parceiros internacionais”. (RFI)

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