Boavista-Benfica, 2-1

(Mais Futebol)

Jorge Simão tinha falado nela. Disse que preparar um jogo em dois dias era utópico. Estava enganado. Num jogo de nervos, o Boavista deu a cambalhota no marcador e bateu o Benfica por 2-1, numa exibição transfigurada da equipa do Bessa na segunda parte, perante o crescente desnorte encarnado.

Na estreia, Jorge Simão prometeu não mexer muito. E manteve o onze da última jornada. Do lado do Benfica, uma síndrome febril de Lisandro juntou-se à lesão de Jardel, proporcionado a surpresa no eixo da defesa: Rúben Dias, em estreia absoluta na liga, fez parelha com Luisão.

O xadrez, montado como outrora, teve mais cautela pelo cariz do adversário. Simão variou para um 4x2x3x1, com Idris e Gilson a fazerem dupla à frente dos centrais. Bloco povoado, é certo, mas não raras vezes desmontado. Ora pela variação de Pizzi, ora pelo recuo de Jonas no terreno, à procura de linha de passe. E foi um pouco dessa forma que Pizzi ganhou espaço, mas errou a baliza por centímetros (4m) antes de Jonas, numa cabeçada letal, inaugurar o marcador a cruzamento de Zivkovic.

O avançado brasileiro dava razão à utopia de Jorge Simão, mas o Boavista reagiu. Ainda com pouca acutilância no último terço, de luta suficiente para obrigar os encarnados à falta. A bola chegou à área de Varela em três livres: no primeiro, o pontapé de Talocha encontrou Bulos para o desvio certo, mas também o fora-de-jogo a anular o lance.

O Benfica, mesmo sem o controlo total da bola, soube estar em vantagem. Careceu, no entanto, de aumentá-la, por falta de calma em saídas rápidas de contra-ataque. O perigo só voltaria de bola parada: Jonas bateu o livre para Vagner socar (28m).

Refém das investidas de Edu Machado e Renato Santos pela direita, o Boavista foi inofensivo, pouco capaz de segurar a bola. Kuca pouco apareceu e a dupla de centrais encarnada secou um Bulos longe da equipa. Ia valendo Vágner a manter a diferença, numa defesa difícil a remate de Zivkovic (32m). Pizzi, por duas vezes, viu o primeiro remate esbarrar em Sparagna – a bola seguia para golo – e outro parar nas mãos do brasileiro. Tudo em aberto para a segunda parte.

Aí, a entrada de David Simão deu calo a uma pantera bem diferente do primeiro tempo. Mais posse, xadrez de peças bem ligadas, jogo ao primeiro toque e audácia ofensiva, espelhada na madrugadora tentativa de Fábio Espinho (46m).

A reação dos da casa era prenúncio de equilíbrio, espelhado no marcador aos 54 minutos. Duplo revés para o Benfica, com o remate certeiro de Renato Santos na área a devolver a igualdade ao jogo, pouco depois de Salvio ter saído lesionado.

O Benfica, de parca reação ao golo sofrido, viu o adversário pressionar e forçar várias perdas de bola nos encarnados. Mexeu por isso Rui Vitória, colocando Raúl Jiménez no lugar de um incapaz Seferovic e o mexicano logo testou Vágner num remate cruzado (70m), pouco depois do brasileiro ter brilhado a remate colocadíssimo de Jonas.

Não marcou o Benfica, marcou o Boavista. Livre frontal de Fábio Espinho e frango de Varela, a ver a bola passar entre os dedos quando tentou socar para longe.

Foi então que Rui Vitória colocou a carne toda no assador, com Gabigol em campo, junto a Jiménez e Jonas no ataque. Mas o desacerto era total, evidente no desentendimento entre Rafa e Gabigol no desvio para a baliza (79m).

Na parte final, de nada valeram bolas pingadas na área de Vágner. O xadrez inverteu a utopia, Simão entra a ganhar. O Benfica sofre novo revés, sai num coro de assobios e pode ver fugir a concorrência no topo da liga. (Mais Futebol)

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