Analistas consideram que processo eleitoral em Angola deixa dúvidas

Eleições gerais angolanas, em 2012 (AP)

André Thomas-Hausen e Eugénio Costa Almeida comentam processo em curso
As eleições em Angola continuam a suscitar reacções e análises dentro e fora do país.

Enquanto a oposição recusa aceitar os resultados provisórios e o MPLA garante ser o vencedor, a nível internacional apenas Portugal felicitou o partido no poder.

A União Europeia pediu que o processo termine com total transparência.

Para alguns analistas, há muito por explicar e desconhece-se como terminará este processo.

O professor de direito da Universidade da África do Sul André Thomas-Hasusen é de opinião que o processo começou de forma deficiente quando o “Governo angolano recusou a presença de observadores e apoio ao processo eleitoral da SADC”.

“Isto daria um pouco de credibilidade e um selo de qualidade e abriu um pouco as portas à crítica por todos dos lados, até de comissários da Comissão Nacional de Eleições”, assevera o professor, questionando até que ponto este processo coloca em causa a imagem externa de Angola.

Neste aspecto, o investigador angolano Eugénio Costa Almeida, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa, considera que a imagem externa vai depender do posicionamento da oposição.

“Se a oposição fizer finca-pé e disser que não aceita os resultados, a imagem de Angola não será a mais ideal junto da comunidade internacional”, sustenta Costa Almeida, lembrando que “a própria União Europeia já começou a questionar e teremos de ver qual será a reacção dos Estados Unidos”.

Frente à negação dos resultados provisórios, o professor Thomas-Hasusen diz restarem poucas alternativas à oposição que, “felizmente, recusa qualquer resistência pela força.”

Ele considera, no entanto, que “a oposição tem voz na Assembleia e não vai passar tão facilmente para a ordem do dia e engolir resultados que ela diz ser manipulados”.

A falta de comemoração de vitória por parte do candidato vencedor João Lourenço e do MPLA é realçada como estranha pelo investigador Eugénio Costa Almeida, porque, segundo ele, “contrasta com a prática nas democracias e o posicionamento da própria Comissão Nacional de Eleições”.

Para ele, “isso pressupõe que os valores da Comissão Nacional de Eleições não serão assim tão credíveis”.

Resultados provisórios divulgados pela CNE indicam que o MPLA obteve 61,05%, UNITA, com 26,72%,CASA-CE, 9,49%, PRS, 1,33%, FNLA,0,91% e APN, 0,50%. (Voa)

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