Alemanha junta-se à Rússia e China no pedido de diálogo com a Coreia do Norte

Alemanha junta-se à Rússia e China no pedido de diálogo com a Coreia do Norte (DR)

Estados Unidos recusam baixar a guarda perante a ameaça do regime de Kim Jong-un. Países envolvidos querem António Guterres a comandar os esforços para o diálogo.

O governo alemão liderado por Angela Merkel juntou-se a Moscovo e a Pequim para pedir uma forte pressão internacional que leve à abertura de negociações com o regime da Coreia do Norte – que levem não só à diminuição da tensão na região, mas a uma solução sustentável entre todas as partes envolvidas.

Durante os últimos dias, a maioria dos líderes mundiais tem insistido no pedido de diálogo com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e na recusa de uma solução militar. De qualquer modo, o governo alemão, pela voz do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sigmar Gabriel – dirigente do SPD de Martin Schulz e não da CDU de Merkel – não foi tão longe quanto a China e a Rússia, tendo optado por não criticar abertamente os Estados Unidos e a Coreia do Sul por manterem manobras militares conjuntas em águas muito próximas da Coreia do Norte.

Para Moscovo, estas manobras são um dos pontos do problema. Vladimor Putin, presidente da federação, afirmou publicamente que não só considera contraproducente qualquer aumento das sanções internacionais contra a Coreia do Norte, como disse que a manutenção das operações militares conjuntas devia ser travada de imediato – no que é apoiado por Pequim. Na ONU, a delegação russa fez mesmo essa sugestão, a de Estados Unidos e Coreia do Sul acabarem com as manobras militares como um gesto de boa-vontade que poderia levar Kim Jong-un a parar o programa nuclear. Mas os Estados Unidos apressaram-se a recusar a proposta, alegando que quando alguém está ameaçado, a última coisa que deve fazer é baixar a guarda.

Ainda na ONU, a delegação da Coreia do Norte voltou a lançar ameaças sobre os Estados Unidos, afirmando que o país está a preparar “mais presentes para entregar aos Estados Unidos” – num tom que ultrapassava qualquer ameaça velada para ser de clara intenção de agravamento do conflito.

Mas a Rússia não se ficou pela ONU: o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, deu a conhecer que falou com o seu homólogo norte-americano ao telefone, tendo-lhe manifestado que apoiará uma nova resolução dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte, mas sob condições.

Entretanto, perante o impasse que alastra a todas as horas, as partes envolvidas querem que o secretário-geral da ONU, António Guterres, se envolva pessoalmente na solução do problema. Para todos os efeitos, ninguém – talvez com a exceção de Kim Jong-un – está interessado numa solução militar. Sigmar Gabriel recordou que, para além da ameaça nuclear, o arsenal de guerra (convencional) da Coreia do Norte é suficiente para infligir graves danos nos países vizinhos, num raio dentro do qual está o próprio Japão. (Jornal Económico)

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