Administração Trump quer congelar bens de Kim Jong-un em resposta ao teste da bomba H

Sanções propostas pelos EUA têm ainda como alvo as contratações de norte-coreanos no estrangeiro e a indústria têxtil do país, as duas últimas fontes de receita da Coreia do Norte. Rússia e China deverão vetar a resolução (Getty Images)

Os Estados Unidos puseram a circular entre os membros do Conselho de Segurança uma resolução que propõe sanções mais duras à Coreia do Norte, sanções essas que, entre outras coisas, passam por congelar totalmente o fornecimento de produtos petrolíferos ao país a par dos bens de Kim Jong-un e dos restantes membros do governo, proibindo-os ainda de viajarem para o estrangeiro.

A proposta de resolução surgiu em resposta ao sexto e mais poderoso teste nuclear de Pyongyang, executado no passado fim-de-semana, numa altura em que o regime norte-coreano já conseguiu desenvolver mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) com alcance suficiente para atingirem o território continental dos EUA.

No início de agosto, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma nova ronda de sanções contra o país que passou por banir as exportações norte-coreanas de carvão, custando cerca de mil milhões de dólares (838 milhões de euros) ao regime, o correspondente a um terço de toda a sua economia de exportações. Contudo, o país continua a ter algumas fontes de receitas comerciais às quais Washington aponta a mira com a nova resolução, entre elas as exportações de têxteis.

As receitas da indústria têxtil e as remessas de dinheiro de norte-coreanos que trabalham no estrangeiro são duas das mais importantes fontes de rendimento que restam ao país; a resolução dos EUA também sugere que essas contratações sejam suspensas até Pyongyang aceitar suspender os seus programas nuclear e de mísseis. É, contudo, improvável que as novas sanções avancem, antecipando-se que a China e a Rússia, dois fornecedores de petróleo à Coreia do Norte, vetem a proposta.

“Não vale a pena ceder às emoções e encurralar a Coreia do Norte”, declarou ontem Vladimir Putin, sob o argumento de que a quantidade de petróleo que o país ainda exporta, cerca de 40 mil toneladas, é irrisória. A China, que é o maior parceiro comercial tanto dos EUA como da Coreia do Norte, apoiou a última ronda de sanções contra Pyongyang mas desta vez deverá opor-se ao seu reforço.

Nos últimos dias, os dois países sugeriram, para convencer a Coreia do Norte a cessar os seus programas militares, os EUA e a Coreia do Sul devem suspender não só os seus exercícios militares conjuntos na região, uma das fontes da ira de Pyongyang, mas também a instalação do controverso sistema antimísseis THAAD no território sul-coreano, que preocupa Pequim e Moscovo pela proximidade aos seus territórios. Essa proposta já foi rejeitada tanto por Washington como por Seul. Esta quinta-feira, o Exército sul-coreano anunciou que completou a instalação do poderoso escudo antimísseis dos EUA, avançou a agência estatal Yonhap.

Os EUA já indicaram que, se a sua nova resolução de condenação à Coreia do Norte não for aprovada na reunião do Conselho na próxima segunda-feira, vai impôr as sanções de forma unilateral. “Acreditamos que é preciso isolar economicamente” o país, disse o secretário do Tesouro norte-americano, Steve Mnuchin, aos jornalistas na quarta-feira. “Tenho uma ordem executiva preparada. Está pronta para chegar à secretária do Presidente e vai autorizar-me a aplicar sanções contra quem quer que faça negócios com a Coreia do Norte.”

Também ontem, Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, discutiram ao telefone as altas tensões na península coreana, com um comunicado da Casa Branca a garantir depois que concordaram em “executar mais ações” contra Kim Jong-un. Depois de nos últimos meses ter sugerido que poderia responder militarmente às provocações do Norte, o líder norte-americano garantiu ontem aos jornalistas que essa possibilidade “não é a primeira opção” dos EUA, embora não esteja excluída do leque de alternativas. “O Presidente Xi quer fazer alguma coisa”, garantiu Trump. “Vamos ver se ele consegue. Certo é que não vamos continuar a aceitar o que está a acontecer na Coreia do Norte.” Citado pela agência Xinhua, o líder chinês voltou a pedir ontem que se alcance “um acordo pacífico sobre o assunto” que combine “diálogo” com Pyongyang “e uma série de medidas abrangentes”. (Jornal Expresso)

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