A nuvem de pressão por detrás da Premier League

(DR)

Hoje voltamos a um assunto do qual não falamos todos os dias, mas que está presente em todas as edições da Premier League: os proprietários dos clubes. Quem investe pretende ver o seu dinheiro bem rentabilizado e, para isso, vários fatores são determinantes. Dos jogadores a todo o staff que os envolve, a responsabilidade é máxima, mas há um elo que acaba por ceder mais que todos os outros: o treinador, claro.

Esta semana Frank de Boer tornou-se no treinador com o mais curto reinado num clube da Premier League. O despedimento do comando técnico do Crystal Palace fez dele a primeira vítima de uma época que promete ser atribulada e que acrescenta mais um ponto negativo à sua carreira internacional como técnico.

Depois de apenas 85 dias ao serviço do Inter de Milão, de Boer vê-se agora numa situação semelhante. Com 10 semanas de serviço, e depois de 4 derrotas em 4 jogos e nenhum golo marcado, chegou ao fim mais uma experiência menos boa do holandês fora do seu país de origem. Foi o pior arranque de sempre do Crystal Palace na Premier League, que é neste momento a quarta equipa na história a perder os seus primeiros quatro jogos sem marcar um único golo. Steve Parish, dono do clube, não tolerou tal “feito” e, por isso, despediu o técnico holandês, tetracampeão no Ajax.

A relação entre técnicos e proprietários pode ser melhor ou pior, mas o que é certo é que, salvo raras excepções, os treinadores têm um reinado curto no comando das equipas. Vejamos quais os proprietários que mais despedem e que mais confiança depositam nas suas próprias escolhas para treinador.

Top 3 — Mais despedimentos

Chelsea

Não será uma novidade para ninguém que Roman Abramovich é o proprietário que mais contrata e despede. Ao longo dos 14 anos à frente do clube de Londres, o russo já viu dez técnicos assumirem o comando da equipa, despedindo nove pelo caminho.

Newcastle

Mas se acha que Roman Abramovich é um proprietário indeciso ou demasiadamente impaciente, Mike Ashley, dono do Newcastle, não lhe fica atrás, com oito despedimentos em oito anos a dirigir o clube. Rafa Benitez é o nono treinador a ser contratado pelo magnata inglês, dono do império de lojas desportivas Sports Direct.

Crystal Palace

Curiosamente ou não, o proprietário que acaba de despedir Frank de Boer é o terceiro na lista dos treinadores que mais despediram na era moderna da Premier League. Steve Parish, tal como Mike Ashley, tem o mesmo número de despedimentos que anos ao serviço do clube. Em sete anos já viu passar oito técnicos pelo seu banco, tendo despedido sete deles.

Mas mais que olhar ao número bruto de despedimentos, que tal olharmos à média de despedimentos, analisando o rácio entre o número de anos como proprietário e o número de treinadores despedidos?

Top 3 — Pior Média

Swansea

Um italiano, um americano e um inglês entram num clube… Só o inglês ainda não foi despedido. Com a pior média de todos os reinados entre os proprietários dos clubes da Premier League está a dupla Steve Kaplan e Jason Levien. À frente dos destinos do clube há apenas um ano e dois meses, os dois investidores americanos já contrataram três treinadores e despediram dois deles. Não é, de certo, um início prometedor para a dupla.

Watford

Em Vicarage Road — estádio do Watford — quem manda, desde 2012 é Giampaolo Pozzo. Seguindo as pisadas do pai, proprietário da Udinese, Pozzo tem uma média de treinadores que não abona muito a seu favor. Ainda assim, o magnata italiano parece provar o impensável: que a estabilidade de um clube pode ser alcançada através de caos e mudança constante. Para já, em Watford, esperando estragar a média de despedimentos do seu patrão, está o português Marco Silva.

Everton

Se a média nos pode ajudar a ter uma noção mais detalhada do rácio número de treinadores e anos do proprietário à frente da equipa, também nos pode induzir em erro. É o caso do Everton. Há apenas um ano e meio à frente dos destinos do clube do norte de Inglaterra, Farhad Moshiri já despediu o seu treinador para ir buscar Ronald Koeman. E apesar de a média dizer que este pertence na terceira posição, ainda é muito cedo para definir o perfil do proprietário e dizer se este é mais ou menos paciente que os restantes.

Por último, e porque o futebol não é feito apenas de exemplos menos positivos, apresento a lista de proprietário mais pacientes da Premier League.

Top 3 — Melhor Média

Arsenal

Raramente temos surpresas nos primeiros lugares, seja qual for o tema. Este é o assunto mais falado em todas as edições da Premier League e, apesar do lado positivo de aposta nas capacidades, reconhecidas, do seu técnico, começa já a ter o seu lado negativo, os próprios adeptos do clube que o digam. Stan Kroenke, proprietário do Arsenal há seis anos fez de Arsène Wenger seu fiel escudeiro e juntos têm enfrentado todas as críticas. Em seis anos Kroenke tem, por isso, zero treinadores despedidos.

West Bromwich Albion/Stoke City

A média pode não ser igual, mas este segundo lugar cabe a ambos. Isto porque no West Brom, apesar de o exemplo ser positivo, Guochuan Lai está à frente do clube há apenas um ano, não tendo ainda assim nenhum despedimento no seu currículo. Já no Stoke City, depois de anos atribulados com proprietários islandeses, o clube viu retornar Peter Coates. O milionário inglês prometeu, após a sua entrada no clube, que os Potters seriam uma equipa de Premier League em apenas cinco temporadas. Promessa cumprida, e apenas com dois treinadores em doze anos. Fantástico.

Manchester United

Tendo tido a sorte de apanhar, durante oito anos, o histórico Sir Alex Ferguson no comando da equipa, a família Glazer parece gostar de estabilidade, mas sabe o quão difícil poderá ser atingi-la. Depois de 3 anos menos bons, parecem ter encontrado em José Mourinho o treinador para manter a equipa no topo do futebol inglês. Em doze anos, quatro treinadores passaram por Old Trafford.

Será difícil, até porque os dados apresentados são reduzidos, retirar conclusões sobre que política de gestão é ou não é melhor para os clubes. Como adeptos, não gostamos de ver o nosso clube a mudar de treinador constantemente, e essa parece ser a norma nos clubes ingleses. Ainda assim, os adeptos têm cada vez menos controlo sobre os clubes, e ganhar o mais depressa possível de forma a reaver o dinheiro investido é a prioridade para quem segue ao leme das ‘Empresas FC’.

Esta semana na Premier League temos um Super Sunday, com Chelsea a medir forças com o Arsenal e o Manchester United a receber o Everton, naquela que será mais uma emocionante jornada da liga mais competitiva do mundo. (Sapo 24)

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