Vaticano rompe silêncio sobre Assembleia Constituinte na Venezuela

(Afp)

O Vaticano rompeu o silêncio nesta sexta-feira e pediu que “se evitem ou suspendam as iniciativas em curso como a nova Constituinte” na Venezuela, em um comunicado divulgado pela Secretaria de Estado da Santa Sé.

Esta é a primeira reacção oficial do Vaticano após a votação da Assembleia Constituinte, que a oposição não aceita por considerar uma fraude.

O pedido do Vaticano, e indirectamente do papa Francisco, foi lançado poucas horas antes da posse da polémica Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro e que foi rejeitada por grande parte da comunidade internacional.

Assinado pela Secretaria de Estado, o texto considera que “ao invés de favorecer a reconciliação e a paz, tais iniciativas (de convocação da Constituinte) fomentam um clima de tenção e confronto e minam o futuro”.

“É um comunicado incomum. Em trinta anos de diplomacia vaticana, nunca houve algo parecido. O que significa que o Vaticano considera que a situação chegou a um limite extremo”, comentou à AFP o chileno Luis Badilla, especialista em informação religiosa e fundador do site Il Sismógrafo.

O silêncio do papa e do Vaticano sobre a polémica iniciativa de Maduro provocou na semana passada muitas críticas, sobretudo por parte da oposição venezuelana.

Por enquanto, não há indicações sobre o efeito que poderia ter o pedido do Vaticano, que exigiu que as forças de segurança evitar o “uso excessivo e desproporcional” da força.

Após manifestar sua preocupação com a “radicalização e o agravamento” da crise na Venezuela, a Santa Sé pediu “a todos os actores políticos e, em particular, o governo” que respeitem os direitos Humanos e as liberdades fundamentais.

No texto , o Vaticano propõe uma espécie de “roteiro” para criar as condições para uma saída negociada da crise, que se baseia na “Constituição vigente”, aquela elaborada pelo falecido presidente Hugo Chávez.

Trata-se das indicações fixadas em uma carta de dezembro de 2016 pelo secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, número dois da Santa Sé, que foi núncio na Venezuela.

Segundo Parolin, para que o país saia da crise é preciso definir um calendário eleitoral, libertar os opositores presos, autorizar assistência internacional e restituir as prerrogativas do Parlamento.

“São pontos possíveis, de rápida aplicação e que não humilha nenhuma das parte”, ressalta Badilla, sustentando que “uma solução democrática e pacífica é a chave”.

Esta semana, em entrevista ao jornal Avvenire, o cardeal Parolin explicou que a diplomacia da Santa Sé é uma “diplomacia da paz, que não se interessa pelo poder”, e confirmou que seguirá contribuindo para encontrar uma saída para a crise.

O Vaticano recorda na nota divulgada nesta sexta-feira que o papa Francisco acompanha de perto a situação no país, bem como “suas implicações humanitárias, económicas e espirituais” e assegura “sua oração constante” a todos os venezuelanos. (Afp)

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