Turquia quer a prisão de mais 35 jornalistas

(DR)

A Turquia mantém a “caça” aos jornalistas sob suspeita de manterem ligações por canais encriptados à suposta organização liderada por Fethullah Gülen. O clérigo exilado nos Estados unidos é acusado pelo governo liderado pelo Presidente Recep Tayyp Erdogan de ter orquestrado o alegado golpe de Estado falhado no país em julho do ano passado.

A polícia de Istambul tem em curso uma operação para deter 35 jornalistas acusados pelo Ministério Público de terem recorrido a uma aplicação de mensagens encriptadas intitulada ByLock. Este serviço de mensagens digitais tem mais de 120 mil utilizadores na Turquia e, de acordo com as autoridades turcas, foi desenvolvido para permitir comunicações secretas entre os supostos “golpistas.”

Entre as três dezenas de jornalistas suspeitos há um editor do jornal BirGün, conotado pelas autoridades com a oposição ao governo. Pelo menos nove dos suspeitos estão já detidos.

De acordo com a plataforma para o jornalismo Independente, há mais de 160 jornalistas presos na Turquia.

No final de julho realizou-se a primeira audiência do julgamento contra 19 jornalistas e funcionários do Cumhuriyet, jornal da oposição turca, por alegado apoio a organizações terroristas, num caso que fez aumentar as preocupações com os direitos e liberdades no país.

Os 19 acusados incluem o editor chefe do diário “Cumhuriyet”, Murat Sabuncu, o jornalista de investigação Ahmet Sik, o comentador Kadri Gursel e o cartoonista Musa Kart, que são acusados de patrocinar várias organizações ilegais, entre as quais militantes curdos e o movimento do clérigo Fethullah Gülen.

Se condenados arriscam penas de prisão de entre oito e 43 anos. Dos 19 acusados apenas cinco aguardam em liberdade o resultado do julgamento.

Dois dos suspeitos, incluindo o antigo chefe da redacção do Cumhuriyet Can Dündar, que está exilado na Alemanha, são julgados à revelia.

O encarceramento dos jornalistas, dirigentes e outros colaboradores da publicação insere-se no quadro de uma repressão generalizada do Governo do país, na sequência do golpe militar fracassado que levou à detenção de mais de 50.000 pessoas, incluindo jornalistas, deputados da oposição e activistas.

Inicialmente, esta campanha turca visava apenas as pessoas suspeitas de ‘golpismo’, mas expandiram-se a todos os opositores do Presidente Tayyip Recep Erdogan. (Euronews)

por Lusa

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