Tensão aumenta na véspera das eleições no Quénia

Uhuru Kenyatta e Raila Odinga reeditam o duelo de 2013 (DR)

O clima de tensão não tem parado de crescer nos últimos dias, no Quénia, à medida que se aproxima a eleição do presidente, governadores, autarcas, deputados, senadores e representantes das mulheres no Parlamento, marcada para amanhã.

O resultado da eleição presidencial é imprevisível, com os dois principais candidatos, o Presidente cessante, Uhuru Kenyatta e o seu rival, Raila Odinga, a reeditarem o duelo de 2013, no mesmo registo de campanha acrimonioso, marcado por acusações recíprocas. A oposição acusa Kenyatta de preparar fraudes eleitorais.

Na mente dos quenianos estão ainda frescos os acontecimentos após as eleições gerais de 2007: o mergulho de um país, exemplo de estabilidade, em dois meses de violência político-étnica que fez mais de 1.100 mortos e 600 mil deslocados. Tudo começou depois da oposição, então liderada por Odinga, reclamar ter sido vítima de uma fraude eleitoral que reelegeu o então chefe do Estado, Mwai Kibaki.

Agora, a campanha eleitoral vinha decorrendo num ambiente de calma relativa, até ao ataque à residência do vice-presidente, William Ruto, a 29 de Julho, e ao anúncio do assassinato de Christopher Musando, supervisor do sistema informático da Comissão Eleitoral queniana (IEBC), cujo corpo foi encontrado no mesmo dia com marcas de tortura, perto de uma floresta nos arredores de Nairobi.

O receio de perturbações amanhã e nos dias subsequentes levou o Governo a destacar 180 mil efectivos das forças de segurança em todo o país, até porque, desta vez, é a eleição dos governadores de 47 distritos, fruto da descentralização aprovada após reforma constitucional em 2013 que maior número de problemas disseminados pode trazer à calma e estabilidade.

Como acontece em cada eleição neste país da África Oriental, com mais de 48 milhões de habitantes e 19 milhões de eleitores, um grande número de quenianos a trabalhar nas grandes cidades regressa aos locais de nascimento para votar, mas também como medida de precaução.

“A ansiedade que se propagou no país com a aproximação das eleições é doentia”, considerava um editorial recente do Daily Nation, o principal diário do país.

Aos 72 anos, e a concorrer pela quarta vez e seguramente última ao cargo mais alto da nação, pela coligação NASA (acrónimo em inglês de National Super Aliance), Raila Odinga tem feito campanha com a garantia de estar a “proteger” os votos que lhe foram roubados em 2007 e em 2013.

O Presidente e o seu vice-presidente, William Ruto, rejeitam as alegações da oposição e acusam-na de preparar a opinião pública para a rejeição da vitória da Jubilee, a coligação no poder. (Jornal de Notícias MZ)

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