Refugiados transferidos para o Lóvua

(DW)

Os 32.677 refugiados do conflito do Kasai, na RDC, acolhidos nos centros de acolhimento provisório de Cacanda e Mussungue, na Lunda-Norte, começam a ser hoje transferidos para o campo do Lóvua, localizado a cerca de 90 quilómetros da cidade do Dundo.

De acordo com o director provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social na Lunda-Norte, Wilson Palanca, as pessoas começam a partir de hoje a ser transferidas para um verdadeiro campo de refugiados, com capacidade para acolher 50 mil pessoas.

Em declarações ao Jornal de Angola, Wilson Palanca disse ontem que estão disponíveis oito autocarros e quatro camiões para o transporte diário de 360 refugiados ao campo do Lóvua e dos respectivos bens.

Nesta primeira semana, disse Wilson Palanca, são transferidos os 2.759 refugiados do campo provisório do Mussungue para na próxima semana começarem a ser transferidos os 29.918 que se encontram em Cacanda. Wilson Palanca explicou que no novo campo do Lóvua estão instaladas 800 tendas, mais de 13 furos de água potável e 148 latrinas comunitárias para os primeiros seis mil refugiados que se aguardam nos próximos dias.

O Alto Comissariado das Unidas para os Refugiados (ACNUR) assegurou que estão criadas as condições logísticas no local para receber com dignidade os primeiros refugiados, que ao chegarem ao campo vão encontrar alimento já feito para hoje e outras condições de acomodação.

O Governo angolano, apesar das dificuldades financeiras por que passa o país, já disponibilizou até ao momento 1.647.036.998,00 kwanzas (mil seiscentos e quarenta e sete milhões, trinta e seis mil novecentos e noventa e oito kwanzas).
Com este dinheiro, foi possível garantir a protecção e o transporte dos refugiados desde os pontos de entrada até aos centros de acolhimento, disponibilizar 113,5 toneladas de bens alimentares e não alimentares, dez toneladas de medicamentos, material gastável, suplementos nutricionais, material de laboratório, testes rápidos para malária, mosquiteiros impregnados com insecticida e vacinas, bem como a instalação de clínicas ambulatórias para a prestação de cuidados de saúde.

O Governo angolano também realizou treinos para técnicos locais sobre os métodos de localização e reunificação familiar, fez o resgate de refugiados em situação de extrema vulnerabilidade nas zonas de difícil acesso, deu resposta aos actos de violência e registou todas as crianças separadas dos familiares.

Para a criação de um campo de reassentamento dos refugiados na Lunda-Norte, concedeu às Nações Unidas um terreno no município do Lóvua, e permitiu a isenção de impostos para as mercadorias e de royalites para a aterragem e utilização do espaço aéreo nacional por aeronaves com ajuda humanitária. (Jornal de Angola)

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