Presidente do Irão presta juramento para segundo mandato com críticas

O clérigo moderado Hassan Rohani tomou hoje posse como Presidente do Irão para um segundo mandato de quatro anos (DR)

O clérigo moderado Hassan Rohani tomou hoje posse como Presidente do Irão para um segundo mandato de quatro anos, na presença de diversos dirigentes estrangeiros, antes de apresentar um governo já criticado pelos seus aliados reformadores.

O Presidente, cuja investidura foi previamente ratificada pelo líder supremo Ali Khamenei, jurou “perante o sagrado Corão e perante o povo iraniano por Deus todo-poderoso” que será “o guardião da religião oficial, do sistema republicano islâmico e da Constituição do país”.

Rohani, 68 anos, prometeu ainda estar “ao serviço de todo o povo”, melhorar a situação do país e apoiar a justiça, a liberdade e o respeito dos direitos dos cidadãos.

Entre os representantes estrangeiros presentes, destaque para a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini e diversos chefes de Estado de países vizinhos, incluindo do Iraque e Afeganistão, para além de ministros e presidentes do parlamento.

Na quinta-feira, Rohani insistiu que o Irão vai manter um percurso de “moderação” e uma “relação construtiva com o mundo”. Mas, advertiu que “não aceita o isolamento nem se rende perante os inimigos que pretendem isolar o Irão”, numa alusão aos Estados Unidos e Arábia Saudita.

Rohani vai dispor, a partir de hoje, de duas semanas para formar o novo governo, mas a sua composição, a verdadeira questão para os iranianos, já está a suscitar polémica.

O Presidente reeleito tem vindo a ser criticado por diversos setores reformadores, por ter alegadamente renunciado à designação de mulheres ministras e garantir poucas posições aos moderados que o apoiaram na campanha. O gabinete cessante era composto por três vice-presidentes.

“Os reformadores permitiram a eleição de Rohani em 2013 e 2017 (…), ele devia escutar aqueles que o apoiaram”, declarou Rassul Montajabnia, vice-presidente do partido reformador Confiança Nacional, segundo o diário Arman.

Nos dois escrutínios presidenciais, os candidatos reformadores retiraram-se para apoiar Rohani, eleito nas duas vezes com a promessa de normalizar as relações com o ocidente e reforçar as liberdades culturais, sociais e políticas.

“Rohani criou uma grande expetativa com as suas promessas durante a campanha eleitoral e hoje aparece em retirada”, declarou à agência noticiosa France-Press (AFP), Ali Shakourirad, chefe do partido reformador Unidade do povo.

Ao renunciar à presença de mulheres em postos ministeriais, pretendeu “evitar problemas com os dignitários religiosos” e “evitar eventuais dificuldades” quando inicia o segundo mandato, acrescentou.

O Presidente ainda não revelou a lista do seu governo, que deverá obter um voto de confiança no parlamento.

O principal feito político do primeiro mandato de Rohani, reeleito em maio passado com 57% dos votos, foi a assinatura em julho de 2015 do acordo nuclear entre o Irão e seis potências, que permitiu a abertura internacional do país.

No entanto, as sanções dos Estados Unidos ainda em vigor e a crescente hostilidade do Presidente Donald Trump complicam a tarefa de Rohani, que necessita de milhares de milhões de dólares de investimentos estrangeiros para relançar a economia e reabsorver o desemprego, que atinge 12,7% da população activa. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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