Preço do cimento sobe acima de 70% no mercado informal

(DR)

Apesar da entrada em funcionamento de uma nova fábrica de clinquer em Luanda, o preço do cimento no mercado conheceu uma subida considerável nas últimas semanas. Uma paralisação inesperada de um dos fornos da CIF, responsável pela produção de 3800 toneladas por mês, é apontada como sendo a causa principal

Há algum tempo que o país atingiu a auto-suficiência na produção de cimento, tendo já exportado, nos últimos anos, quantidades consideráveis aos países vizinhos, com destaque para o Congo Democrático.

No entanto, o preço deste produto indispensável à construção civil conheceu uma subida. O saco de 50 kg que custava Kz 1.200, passou agora a ser comercializado a Kz 2500, uma subida de mais de 70%. Há locais em que o preço atinge mesmo os Kz 3000.

Na zona do Bita-Tanque, município de Viana, o revendedor e proprietário da agência Ana Maria, revelou que “o preço disparou de Kz 1500 para Kz 2500, porque a procura superou a oferta. A fábrica CIF, localizada em Bom Jesus, município de Icolo e Bengo, Luanda, encontra-se paralisada, atestou o comerciante Mário José.

O comerciante revelou ainda que neste momento dependem apenas do fornecimento da Nova Cimangola, “de onde está difícil adquirir cimento”.

Na zona do Dangereux, município de Talatona, os preços variam. Há quem venda o saco de 50 kg a Kz 2500, enquanto outros comercializam por Kz 2300. É o caso de Ana Francisco, que declara, “vendemos a este preço porque não há cimento no mercado”. A vendedora, no momento da nossa visita, possuía um contentor com menos de 100 sacos no seu posto de venda.

E sobre os motivos da carência do produto no mercado, Ana Francisco não possui elementos fiáveis, mas adianta que “é por causa da paralisação da fábrica CIF, propriedade dos chineses”.

Mais adiante, ainda no mesmo bairro, encontramos Simão José. O agente revendedor tinha o posto fechado. “Não tenho cimento. Acabou na semana passada e não tenho como fazer o reabastecimento. Está difícil”, comentou.

No mercado do Kifica, município de Talatona, o preço do saco de cimento de 50 kg varia com os custos que o agente revendedor assiste. Por exemplo, a revendedora Paula José comercializa o saco de cimento a KZ 2500. Questionada sobre as razões dessa subida flagrante, Paula, sem rodeios, respondeu: “não há cimento no mercado. Estamos a vender o pouco que resta”.

Cerca de 200 metros adiante, encontramos o agente Manuel Joaquim que comercializa o saco de cimento Tunga a Kz 2300. O comerciante conhece os motivos da escassez do produto no mercado, porém, acha que não precisa de subir tanto o seu preço.

“Não há cimento, mas vendendo o saco a 2300, sempre ganhamos alguma coisa”, considerou, lamentando o comportamento dos colegas que dispararam o preço na ordem dos 100%, portanto, de Kz 1500 para 3000, como se pôde constatar em alguns pontos da província de Luanda.

“É verdade que quando a procura é maior que a oferta, os preços tendem a subir. No entanto, devemos ser um pouco moderados”, considerou.

Paralisação de forno da CIF provoca subida no preço do cimento

Uma avaria num dos fornos da cimenteira CIF, uma das maiores do país, situada no município de Icolo e Bengo, província de Luanda, causou a subida no preço do produto em Luanda e não só.

A maior cimenteira do país viu reduzir a sua capacidade de produção de forma considerável. Em virtude disso, o mercado ressentiu-se, porque o preço do produto “disparou”. A CIF é responsável pela produção de 3800 toneladas de cimento por mês.

Uma fonte da cimenteira chinesa assinalou que um dos principais fornos registou uma avaria, tendo reduzido acentuadamente a sua capacidade de produção.

“O formo está avariado há semanas. Não sabemos concretamente o que se passa. Entretanto, nos próximos momentos saberemos quanto tempo a fábrica ficará paralisada ou se o problema será resolvido”, declarou, sem entrar em mais detalhes.

Nova fábrica de clinquer no mercado

A subida no preço do cimento, acontece numa altura em que foi inaugurada, no último mês, em Luanda, uma nova fábrica de clinquer. A nova unidade fabril da Nova Cimangola produzirá 1 600 000 toneladas anuais, um volume suficiente para cobrir as necessidades das cimenteiras nacionais.

Inaugurada recentemente (em Julho), numa primeira fase, prevê-se que a nova unidade vai produzir 1 600 000 toneladas de clínquer por ano, um facto que vai causar a cessação das importações do produto. Localizada no município de Cacuaco e com uma extensão de 687 hectares, a nova fábrica da Nova Cimangola vai produzir o clínquer que será comercializado às indústrias cimenteiras do país e exportar o seu excedente, como os investidores referem.

Recentemente, a ministra da Indústria, Bernarda Martins, considerou que o sector de materiais de construção “tem dado passos positivos, melhorando a oferta de produtos”, entre os quais apontou o cimento. “A indústria do Cimento tem crescido muito.

Com o aumento da produção de clínquer, seguramente, teremos mais cimento. Passamos de 5 milhões para 8 milhões de toneladas por ano”, recordou, referindo ainda que as necessidades de consumo interno situam-se em 6 milhões de toneladas, registando-se por isso um excedente de 2 milhões, um facto que torna o país autónomo em matéria de cimento. (O País)

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