PJ investiga PDM de Cascais: suspeita de “instrumentalização” da Fundação Aga Khan

Ao Diário de Notícias, a fundação disse que não sentia que tinha sido instrumentalizada pela Câmara. Carlos Carreiras, presidente da CMC disse ao Diário de Notícias que as intenções que a Aga Khan manifestou inicialmente tinham o interesse da autarquia (MÁRIO CRUZ/LUSA)

A Polícia Judiciária suspeita que a construção de uma academia da Fundação Aga Khan em Cascais, que ia servir de base a um projeto imobiliário na zona de Birre, no mesmo município, tenha servido para “instrumentalizar” outro projeto, avança a edição desta quarta-feira do Diário de Notícias.

Em 2014, a fundação assinou um memorando de entendimento com o fundo imobiliário Lusofundo para a construção da academia, mas mais tarde desistiu da ideia, ao contrário do dono do terreno: a Câmara Municipal de Cascais, que avançou com o projeto. Ao Diário de Notícias, a fundação explicou que desistiu do projeto porque se apercebeu que “uma parte das forças vivas locais não apoiava qualquer tipo de construção naquele local”.

Agora, a Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária e o DIAP de Lisboa estão a investigar a Câmara Municipal porque suspeitam que a Fundação Aga Khan tenha sido “instrumentalizada” para justificar a mudança do terreno no Plano Diretor Municipal de Cascais. Ou seja, o facto de, assim, a CMC ter conseguido transformar terrenos agrícolas numa área urbana.

A PJ já fez buscas à Câmara Municipal de Cascais, à entidade que gere o fundo Lusofundo (a Norfin) e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, segundo aquilo que foi apurado pelo Diário de Notícias. De acordo com a mesma publicação, em novembro de 215, já depois de a Fundação Aga Khan ter saído do projeto, a Norfin pediu na mesma o licenciamento municipal necessário para avançar com a construção.

Numa reunião de câmara, em junho de 2017, o vereador do PCP Clemente Alves afirmou que a construção da moradia era apenas uma “cunha” que a Norfin procurava abrir, “para depois assegurar que a porta ficará aberta para o cometimento do atentado ambiental que se pretende levar a cabo no espaço, onde antes esteve prevista a academia Aga Khan”, cita o Diário de Notícias.

Ao Diário de Notícias, a fundação disse que não sentia que tinha sido instrumentalizada pela Câmara. Carlos Carreiras, presidente da CMC disse à mesma publicação que as intenções que a Aga Khan manifestou inicialmente tinham o interesse da autarquia, mas que “as que que colocaram no final já não eram assim e não vou dizer mais, porque não quero ofender a rede Aga Khan”. (Observador)

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