ONU investiga sobre valas comuns e atrocidades no norte do Mali

ONU investiga valas comuns e atrocidades no norte do Mali (DR)

A missão da ONU no Mali anunciou hoje que está a investigar a existência de valas comuns no norte do país e numerosas denúncias de violações dos direitos humanos por grupos armados que tentam controlar a região.

Em comunicado, a missão (MINUSMA) indicou ter sido informada de “acusações de abusos e de violações graves dos direitos humanos, imputados aos movimentos signatários” do acordo de paz, em maio-junho de 2015, entre os grupos armados pró-governamentais, reunidos na “Plataforma”, e os grupos da Coordenação dos Movimentos da Azawad (CMA, ex-rebeldes de predominância tuaregue). Este acordo de paz é regularmente violado desde junho.

A MINUSMA anunciou ter enviado “equipas da Divisão dos Direitos Humanos e da Proteção, a fim de investigar e documentar esses eventuais abusos e violações, nomeadamente em Anéfis (região de Kidal), onde foi relatada a existência de sepulturas”, lê-se no documento.

“Das 67 acusações, 34 foram corroboradas e confirmadas, entre as quais figuram, nomeadamente, desaparecimentos forçados de pessoas, incluindo de menores, casos de sequestro e de maus tratos, bem como casos de destruição, incêndio e roubo”, relatou a missão das Nações Unidas no país.

As equipas da MINUSMA “constataram no local a existência de sepulturas individuais e de valas comuns”, não tendo forma de indicar por enquanto o número de pessoas enterradas e as circunstâncias das respetivas mortes, prossegue o comunicado, acrescentando que as investigações vão continuar para se saber, entre outras coisas, do paradeiro dos desaparecidos.

A missão declarou-se “também extremamente preocupada com a possível presença de menores nas fileiras dos movimentos signatários, o que constitui uma grave violação dos direitos da criança em período de conflito armado”.

O norte do Mali caiu em março-abril de 2012 nas mãos de grupos ‘jihadistas’ ligados à Al-Qaida após a derrota do exército contra os rebeldes, então aliados a estes grupos que, em seguida, os expulsaram.

Esses grupos armados foram em grande parte repelidos em consequência do lançamento, em 2013, por iniciativa da França, de uma intervenção militar internacional que está ainda em curso.

Mas zonas inteiras encontram-se ainda foram do controlo das forças malianas e estrangeiras, regularmente alvo de ataques mortíferos, apesar do acordo de paz destinado a isolar definitivamente os ‘jihadistas’. (Observador)

por Lusa

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