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Museu do Dundo retoma expedições 80 anos depois
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Museu do Dundo retoma expedições 80 anos depois

O Museu Regional do Dundo, considerado o mais antigo e importante do país, prevê lançar duas novas expedições para reforçar a colecção etnográfica de 800 peças em exposição, mais de 80 anos depois de realizadas as únicas recolhas.

O director-geral do museu revelou que as novas expedições vão arrancar em 2018, nos municípios de Lóvua e de Cambulo, reeditando as de 1937, em Camaxilo, e de 1939, no Alto Zambeze (Moxico), que permitiram constituir a exposição ainda hoje patente.

“Não é só doar, é ir comprar mesmo. Para se fazer isto tem de se sensibilizar as populações, para preservar e guardar estas peças etnográficas”, explicou Fonseca Sousa, director-geral do Museu Regional do Dundo desde 2013.
Além das duas históricas expedições, a actual colecção, com 818 peças em exposição, resultou ainda da doação, na década de 40 do século passado, do espólio da colecção do etnólogo José Redinha.

Fauna, flora, arqueologia, etnologia e paleontologia, por entre peças e utensílios historicamente usados no dia-a-dia das populações locais, com destaque para as máscaras rituais da cultura Lunda Tchokwe, são retratadas actualmente pelo museu.

“Isto implica explicar às pessoas, às autoridades tradicionais, a importância de recolher estas peças, ferramentas e outras, que ainda são utilizadas diariamente, para podermos estudar e preservar para as futuras gerações. É isso que vamos voltar a fazer no início de 2018”, acrescentou Fonseca Sousa.

Entre a colecção actual contam-se peças de cestaria, olaria, algumas máscaras raras, de rituais e itinerantes, do povo Lunda Tchokwe, bem como todo o tipo de utensílios. A exposição divide-se por salas de Pré-história, Organização Social, Poder Político, Caça e Actividade Doméstica, Indústria e Actividade Manufactureira, Arte e Actividades Lúdicas, Crenças e Actividades Religiosas, Indústria Mineira e Usos do Diamante e Resistência à Colonização.

A máscara Mwana Pwo será a atracção mais famosa do Museu Regional do Dundo, mas outras, históricas, terão sido levadas durante a guerra e têm vindo a ser recuperadas pelas autoridades e coleccionadores privados como Sindika Dokolo.

“Explicamos ao povo que é para preservar, guardar e expor, que as coisas têm que vir para aqui, não é para deixar ir daqui para fora”, enfatizou o director do museu e responsável pela preparação das expedições que deverão recolher centenas de novas peças junto da população da região.

Depois das últimas obras, iniciadas em 2004 e cuja segunda fase ainda não foi concluída, o Museu Regional do Dundo foi reaberto este ano e conta com um laboratório de investigação, que ainda será reconstruído, uma estação arqueológica e uma aldeia-museu. (TPA)

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