Mulondo o utensílio das actividades rituais

Museu Nacional de Antropologia (DR)

O utensílio mulondo, pertencente ao subgrupo luvale, do grupo etnolinguístico ngangela, é o escolhido em Julho pelo Museu Nacional de Antropologia, inserido no projecto “Peça do Mês”, que durante este mês é a atracção dos visitantes nas visitas guiadas, no seguimento da rotatividade a oferecer às suas colecções.

O programa, que pretende assegurar a divulgação do acervo cultural para fins educativos, fundamentalmente às gerações vindouras, já recebeu a visita de muitos estudantes e estrangeiros interessados em explorar mais os aspectos culturais das mais variadas etnias do povo angolano.

O Jornal de Angola, descreve o vaso mulondo, pertencente aos luvale. Este povo encontra-se, maioritariamente, na província do Cuando Cubango e apresenta-se repartido em dois domínios. No aspecto social, os luvale tomam predomínio dos ritos de passagem masculinos e possuem uma variedade de manifestações folclóricas. Dedicam-se à exploração da borracha, cera, mel, marfim e retiram da pesca parte importante da sua economia alimentar.

Os luvale são exímios ceramistas, praticando uma cerâmica artística, negra, polida e caracterizada por vasos do tipo de jarras encimadas com figuras antropomórficas e zoomórficas modeladas de pasta fina e elitista, com perfeição, servindo não só para as actividades domésticas, mas também para o comércio e as cerimónias rituais.
Para a coloração dos objectos de cerâmica, eles utilizam as cascas da árvore chamada musombo que, depois de espremidas, libertam uma cor negra com tons metálicos.

Em seguida, é aplicada a resina ao objecto ainda quente que serve para o endurecimento, a impermeabilidade e a eliminação da porosidade. O mulondo, exposto no Museu Nacional de Antropologia como a peça do Mês de Julho, é feito de argila branca e modelado com uma figura antropomórfica: uma mulher com a face tatuada e um penteado típico.

Ele apresenta também um gargalo decorado com motivos geométricos, laivos negros no bojo, uma pega e um bocal para o vazamento de líquidos. O vaso simboliza virgindade, pureza e paz para os seus utilizadores, é usado para a conservação de líquidos e a bebida que se coloca nesse recipiente é, geralmente, oferecida aos nubentes na noite nupcial.

Dados estatísticos

O chefe de departamento da Educação e Animação Cultural (DEAC), da instituição museológica, Massokolo Nsituatala, disse que durante o mês de Julho e não apenas no projecto “A Peça do Mês”, o museu recebeu um total de 2.056 visitantes angolanos, sendo as crianças, adolescentes e jovens os que mais procuraram os serviços museológicos, fruto dos programas curriculares nas escolas do ensino de base, do médio e universitárias.

Massokolo Nsituatala disse ainda que, este mês, o museu recebeu a visita de dez turistas estrangeiros, com destaque para o Brasil com seis, Portugal com quatro e Botswana, o único país africano, com apenas um turista.
No ano passado, avançou, o Museu Nacional de Antropologia recebeu a visita de um total de 11.450 turistas entre nacionais e estrangeiros. Entre os visitantes estrangeiros, destacam-se os portugueses com 49 visitantes, brasileiros e franceses com 32 cada. (Jornal de Angola)

por Manuel Albano

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