Laúca começa gerar energia comercial hoje

Central Electrica do Projecto da Barragem Hidroelectrica de Lauca (Foto: Francisco Miudo)

A primeira das seis turbinas de 334 megawatts do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca, em construção na cascata do Médio Kwanza, inicia, hoje, sexta-feira, a produção comercial de energia eléctrica, finalizados os testes de sincronização de cargas, iniciados a 9 de Julho último.

Para tornar possível a geração de energia nesta barragem, em construção desde 2012, em Malanje, iniciou-se, a 11 de Março de 2017, o enchimento do reservatório de Laúca, para aprovisionar água suficiente (dois biliões e 680 milhões de metros cúbicos) e mover as seis turbinas.

Essa maior obra de engenharia civil e hidroeléctrica do país é um investimento do Estado angolano, avaliado em 4,5 mil milhões de dólares norte-americanos, e constitui mais do que o dobro da maior barragem em funcionamento, a de Cambambe, com 960 megawatts.

O aproveitamento de Laúca, um projecto estruturante do sector eléctrico, inserido no Plano Nacional de Desenvolvimento (2012-2017), vai debitar ao sistema eléctrico nacional dois mil e 70 megawatts, dos quais dois mil e quatro megawatts da central e 65 MW da central ecológica.

Quando estiver totalmente concluída (em 2018), a barragem permitirá trazer estabilidade energética e dar-se início ao processo de interligação dos sistemas norte, centro e sul do país, e a produção crescerá na ordem de 122 por cento.

A partir da subestação de Laúca, de 400/200/60 KV, linhas de transporte de muito alta tensão sairão para as províncias do Huambo, passando pelo Waco Kungo (Cuanza Sul), e por Benguela, facto que impulsionará o desenvolvimento da indústria, agricultura, turismo e de outros sectores da actividade, tornando a economia nacional competitiva.

A linha do Huambo vai prolongar-se até ao Lubango (Huíla) e, mais tarde, a Xamutete (Huíla). O prolongamento da linha a Xamutete deve efectivar-se quando estiver concluída a construção da Barragem de Caculo Cabaça, no Cuanza Norte, que deve ser concluída em 2022.

Com Laúca e adicionando a esta infra-estrutura a Central de Ciclo combinado do Soyo, com 750 megawatts, o sector eléctrico nacional passa a ter uma capacidade instalada de cinco mil megawatts em 2018, enquanto a meta, até 2025, é atingir os nove mil megawatts, para fazer face à procura doméstica, cujas projecções apontam para um aumento na ordem de 70 por cento.

O projecto Laúca surgiu a partir de um estudo de inventário realizado na década de 1950, solicitado pela então empresa pública Sociedade Nacional de Estudo e Financiamento de Empreendimentos Ultramarinos (Sonefe) à empresa Hydrotechnic Corporation (USA), que concluiu que, na bacia do Médio Kwanza, podem ser construídas sete barragens.

Das sete barragens planeadas para o Médio Kwanza, três já se encontram construídas, nomeadamente, Barragem de Cambambe, Capanda e, agora, Laúca. Faltarão as do Tumulo do Caçador, Luime, Zenzo I e Zenzo II.

O inventário realizado na década de 1950 pela empresa Hydrotechnic Corporation (USA) foi retomado em 2008, com a realização dos estudos de viabilidade solicitados pelo Governo angolano.

As obras para o desvio do rio, iniciadas em 2012, para a construção de Laúca, compreenderam a escavação de dois túneis à margem direita do Kwanza, de 14 metros e meio de diâmetro, e duraram 20 meses. A segunda fase do projecto incluiu a construção da obra principal, a central principal e central ecológica; a terceira inclui a componente electromecânica e as linhas de transporte.

Dada a importância que o projecto encerra para o desenvolvimento sustentável do país, a 4 de Setembro de 2014, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, presidiu à cerimónia de desvio do rio, para o início da construção do paredão (barragem).

Com uma altura de 156 metros, mil e 200 metros de comprimento e com uma área de 24 mil hectares, incluindo a albufeira, Laúca é a segunda maior barragem em construção em África, depois da Grande Represa do Renascimento Etíope, que poderá vir a gerar seis mil megawatts. (ANGOP)

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