Historiadora Rosa Cruz e Silva sugere criação do Centro de Estudos de Mbanza Kongo

HISTORIADORA ROSA CRUZ E SILVA (SEGUNDA DA ESQUER. PARA À DIRET.) DURANTE UMA VISITA AOS LOCAIS DE ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS EM MBANZA KONGO (FOTO: ALBERTO JULIÃO)

A historiadora Rosa Cruz e Silva sugeriu, em Luanda, a criação do Centro de Estudos de Mbanza Kongo, por constituir um espaço privilegiado de investigação dada a sua inclusão na lista do Património Mundial da UNESCO.

Em entrevista ao Jornal de Angola na qual faz uma abordagem sobre o projecto Mbanza Kongo até a sua aprovação na 41ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO realizada em Junho deste ano em Carcóvia (Polónia), a antiga ministra da Cultura avança que não se esgotarão, nos próximos tempos, as possibilidades de novas descobertas no campo da arqueologia, e não só, razão pela qual é essencial um Centro de Estudos.

De acordo com a historiadora, com a campanha em curso desenvolvida pelo governo provincial, para a atracção de investimentos para a região, este movimento se intensificará nos próximos tempos e o turismo religioso, científico e outro serão uma realidade a breve trecho.

“Todos os países que têm bens inscritos na lista do Património Cultural organizam-se e criam estruturas para dar suporte à actividade turística que tem dado bons rendimentos. Teremos que seguir este exemplo. O Plano de Gestão do Dossier refere os compromissos do Estado, para dar a conhecer e garantir que a comunidade internacional o desfrute”, reforçou a antiga governante, uma das artífices do projecto.

Para Rosa Cruz e Silva o “bem” Mbanza Kongo deixou de ser pertença apenas do Estado angolano e passou a estar inteiramente disponível para a comunidade internacional.

Este estatuto, segundo a especialista em história, valoriza a República de Angola, enquanto Estado proponente, o seu Executivo e a liderança política, assinalando o facto de ser o primeiro bem cultural da Região Central Africana que entra para a prestigiada Lista do Património Mundial.

Depois desta experiência, a historiadora acredita que não haverá muita dificuldade para a elaboração dos demais dossiers, apontando como prioridade o sítio histórico de Cuito Cuanavale, com fortes razões para uma boa fundamentação: A participação de Angola nos esforços (políticos, diplomáticos e militares) que levaram ao fim do apartheid na África do Sul, à Independência da Namíbia e à pacificação de Angola e da Região Austral do continente africano.

Para Rosa cruz e Silva, a classificação deste bem, “Local da Batalha do Cuito Cuanavale”, na lista do Património Mundial serve para, também por esta via, prestar-se o merecido tributo a todos os combatentes envolvidos nas operações militares, sobretudo os que deram a sua vida para esta causa e da liderança política do Presidente José Eduardo dos Santos.

“Quanto aos Sítios de Tchitundo Hulo e o Corredor do Kwanza vão convocar mais uma vez os historiadores, arqueólogos, linguistas e outras especialidades para candidaturas bem sucedidas”, asseverou.

Rosa Cruz e Silva destacou que a execução das várias etapas do projecto contou com a participação de especialistas nacionais que integraram as comissões nomeadas, directamente envolvidos no processo e outros técnicos que por razões pontuais foram chamados a contribuir, totalizando 28, entre historiadores, arqueólogos, linguistas, antropólogos, juristas, arquitectos e um artista plástico, enquanto do estrangeiro vieram 14 especialistas.

Na qualidade de ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva esteve a frente do projecto entre 2008/2016, período em que foram executadas as principais acções no terreno, em termos de recolha de dados arqueológicos, e no exterior, com a recolha da informação bibliográfica.

O projecto de inscrição desta cidade na lista da Unesco, denominado “Mbanza Kongo, Cidade a Desenterrar para Preservar”, foi lançado em Setembro de 2007, com a realização da IIª Mesa Redonda Internacional que abordou esta temática na referida sede provincial.

Desde a fundação do Reino do Kongo no século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do Rei, a sua corte e centro das decisões.

Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior vila da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativas) e quatro mil europeus.

Com o seu declínio, a cidade que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro” transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico Bakongo e albergou territórios das actuais Repúblicas de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão. (ANGOP)

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