“Existem 500 mil euros que podiam ser distribuídos e não recebemos nem um cêntimo”. Trabalhadores da falida SEC em protesto

(Reuters)

Oito trabalhadores despedidos em 2013 da SEC – Sociedade de Empreitadas e Construções, falida em 2014, manifestaram-se hoje no Porto pelos salários em atraso e por não verem “um cêntimo” dos 500 mil euros resultantes do património da empresa.

“Há bens desaparecidos, no valor de milhares de euros e nos estamos sem o nosso dinheiro. Existem 500 mil euros resultantes da venda do património apurado, que podiam ser distribuídos e não recebemos nem um cêntimo”, descreveu aos jornalistas Álvaro Barbosa, um dos “cerca de 30 trabalhadores” despedidos em 2013 da empresa de Ermesinde, concelho de Valongo, distrito do Porto, e membro da Comissão de Credores.

Na ação desta manhã junto ao Palácio da Justiça, Álvaro Barbosa foi o porta-voz dos oito trabalhadores que se juntaram “em protesto para chamar a atenção” e ver se o problema “se resolve de alguma maneira, porque os trabalhadores estão a ficar desesperados”.

“É a administradora [de insolvência] que tem de resolver, que tem de informar o tribunal do que se está a passar. A administradora deixa andar, nada faz. Por isso este protesto”, justificou o funcionário.

De acordo com o trabalhador de 56 anos, os funcionários não entendem “muito bem” nem recebem “grandes explicações” para o arrastar do processo em tribunal e para o facto de os 500 mil euros resultantes da venda de património da empresa não serem usados para repor os salários em atraso dos funcionários.

“Existem 500 mil euros que podiam ser distribuídos e não recebemos nem um cêntimo”, lamentou.

Álvaro Barbosa indicou que, em 2013, foram despedidos da empresa cerca de 30 trabalhadores, explicando que apenas oito participaram no protesto de hoje por “falta de disponibilidade” e também porque os funcionários “se organizaram em três grupos”, cada um com os seus advogados.

“Isto é um alerta, uma chamada de atenção. Uma informação pública pela maneira como processo está ser desenvolvido, com artimanhas desde o início. Esta é a segunda administradora [de insolvência] que temos e, desde início, não está a cumprir com as suas obrigações. Entendemos que, neste momento, está a prejudicar os trabalhadores”, afirmou.

“Sempre trabalhamos em Ermesinde, Alfena [concelho de Valongo] e, algum tempo antes do PER [Programa Especial de Revitalização, realizado na sequência da declaração de insolvência], os administradores mudaram manhosamente a sede para Lisboa, precisamente para fazer o que querem e lhes apetece”, criticou Álvaro Barbosa.

O trabalhador e membro da Comissão de Credores indica que “a maior parte da contabilidade continua desaparecida” e viaturas da empresa “passaram para outras empresas do mesmo administrador”.

“Hoje só dizem que já passaram os prazos, que já não se pode reclamar”, observa.

O porta-voz dos trabalhadores referiu ainda que “a maioria dos trabalhadores já terminou ou está em vias de terminar o subsídio de desemprego”, sendo que, para além deste, “apenas recebeu o valor resultante da ativação do fundo de garantia salarial”.

Na manifestação desta manhã, que Álvaro Barbosa disse ser para manter “até serem vencidos pelo cansaço ou pelo sol”, os funcionários mostravam cartazes onde se podia ler: “Entrega a contabilidade. Paga o que deves”, “Administrador, resolva o nosso problema”, “Trabalhadores esperam pelos direitos há mais de quatro anos” e “Património desviado – administradora sabe e nada faz. Trabalhadores exigem justiça”. (Observador)

por Lusa

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