Coreia do Norte ameaça EUA com retaliação proporcional pelas sanções

Líder da Coreia do Norte observa um míssil balístico, numa das unidades da Coreia do Norte (DR)

As sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra a Coreia do Norte já motivaram uma reacção de Pyongyang, que ameaça retaliar e avisa os EUA da prontidão para dar uma “lição severa”.

As sanções aprovadas no passado sábado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas contra a Coreia do Norte representam, no entender de Pyongyang, uma “flagrante violação da nossa soberania”.

Segundo as informações avançadas esta segunda-feira, 7 de Agosto, pelos media estatais norte-coreanos, reportando-se a uma declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros, Ri Yong-ho, e citadas pela CNN, a Coreia do Norte considera que as sanções foram “fabricadas” e que, ao adoptá-las, a ONU está a abusar do poder que lhe é conferido pela Carta das Nações Unidas.

Em declarações feitas por Ri Yong-ho durante um encontro da ASEAN, o ministro sustenta que “a posse de armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais é uma opção legítima de autodefesa perante a clara e real ameaça nuclear representada pelos Estados Unidos”.

Ainda de acordo com as informações veiculadas pela agência estatal KCNA, a Coreia do Norte reitera ainda a ameaça de retaliação contra os Estados Unidos por mais esta vaga de sanções aplicadas ao regime liderado por Kim Jong-un.

Pyongyang acusa Washington de “tentar levar a situação na península coreana para a iminência de uma guerra nuclear”, pelo que avisa que “fará os EUA pagar caro por todos os crimes odiosos cometidos contra o Estado e as pessoas” da Coreia do Norte.

Os avisos não se ficam por aqui. A KCNA acrescenta que a ameaça de retaliação feita por Pyongyang contempla mesmo o aviso para a possibilidade de um ataque a solo norte-americano. Como tal, especificam que o mais recente teste nuclear levado a cabo pelas forças armadas norte-coreanas configuraram uma “firme advertência aos EUA” que não devem crer que o seu território “está seguro”.

No sábado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade a Resolução 2371, que avoluma as sanções contra Pyongyang devido à contínua prossecução de testes a mísseis balísticos intercontinentais capazes de transportar ogivas nucleares, o que representa uma clara violação de anteriores resoluções das Nações Unidas.

Estas sanções incidem sobre as principais exportações norte-coreanas, como o carvão, ferro e pescas, embora também recaiam sobre a banca do país. De acordo com a embaixadora americana junto da ONU, Nikki Haley, estas sanções poderão representar um rombo de um terço nos 3 mil milhões de dólares de receitas anuais oriundas das exportações da Coreia do Norte.

Também esta segunda-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, afirmou que Washington está disponível para dialogar logo que se verifiquem as “condições certas”. Ou seja, os EUA apenas colocam a hipótese de negociações depois de Pyongyang aceitar renunciar à condução de novos testes com mísseis balísticos.

Depois de Pyongyang ter rejeitado os apelos da Coreia do Sul para conversações e perante o agudizar da tensão na península coreana, a China, principal aliado económico do regime norte-coreano, considerou que a situação está a atingir um “ponto crítico”, embora Pequim sublinhe acreditar estar-se agora perante um “ponto de viragem com vista a negociações”. (Jornal de Negócios)

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