Coreia do Norte ameaça atacar ilha de Guam após Trump prometer “fogo e fúria”

Um dos bombardeiros dos EUA que estão estacionados na base aérea de Andersen na ilha de Guam (GETTY IMAGES)

Pyongyang está a “analisar cuidadosamente” plano de ataque ao pequeno território insular dos EUA no Pacífico que alberga importantes bases militares. “Não somos apenas uma instalação militar, Guam é solo norte-americano”, sublinha o governador da ilha numa mensagem vídeo

Coreia do Norte diz estar a considerar atacar o território norte-americano de Guam, com a agência estatal KCNA a avançar na madrugada desta quarta-feira que o Exército está a “analisar cuidadosamente” um plano para lançar mísseis de médio e longo alcance contra a ilha do Pacífico que alberga importantes bases militares dos EUA.

As informações, avançadas por uma fonte do Exército da Coreia do Norte (KPA), surgiram horas depois de Donald Trump ter declarado aos jornalistas que o país vai enfrentar “fogo e fúria” se não parar de ameaçar a soberania territorial norte-americana.

Citando uma fonte do Exército, a KCNA noticiou que Pyongyang está a “estudar cuidadosamente um plano operacional para envolver Guam em fogo” recorrendo aos mísseis Hwasong-12, no que a BBC diz ser uma provável resposta aos mais recentes exercícios militares dos Estados Unidos ao redor da ilha e também às sanções económicas que o Conselho de Segurança da ONU acabou de aprovar contra a Coreia do Norte — e que o regime de Kim Jong-un classificou como uma “violenta violação da nossa soberania”, sob promessas de que os EUA vão “pagar um preço” por isto.

Numa mensagem vídeo publicada na sua página de Facebook, o governador da ilha, Eddie Baza Calvo, garantiu esta madrugada que neste momento não existem “quaisquer ameaças” ao arquipélago das Marianas, mas que Guam está “preparada para qualquer eventualidade”.

“Guam é solo norte-americano, não somos apenas uma instalação militar”, garante Calvo na mensagem dirigida aos cerca de 163 mil residentes da pequena ilha. O governador diz ainda que os Departamentos de Defesa e de Segurança Interna dos EUA lhe garantiram que os níveis de ameaça ainda não sofreram alterações.

O comunicado da Coreia do Norte marca uma nova fase na retórica bélica e troca de ameaças com os EUA, numa altura em que vários especialistas e também o governo do Japão acreditam que o país já conseguiu desenvolver mísseis interbalísticos continentais (IBM) capazes de atingir grandes cidades norte-americanas.

Ontem o “Washington Post” avançou, com base em informações das secretas dos EUA, que a Coreia do Norte está a desenvolver armas nucleares capazes de atingir o território norte-americano a um ritmo muito mais rápido do que se julgava até agora.

Perante os mais recentes avanços nos programas de armamento de Pyongyang, que já executou cinco testes nucleares nos últimos anos, o Presidente norte-americano avisou ontem o país que deve parar de ameaçar os EUA, caso contrário “vai enfrentar fogo e fúria como o mundo nunca viu”.

A ameaça foi recebida com algum cepticismo e críticas por membros do Partido Republicano como o senador John McCain, que integra a comissão de Serviços Armados do Senado e que ontem disse aos jornalistas: “Não sei o que é que o Presidente Trump está a dizer, não tenho a certeza de que ele esteja preparado para agir.”

QUAL A IMPORTÂNCIA DE GUAM?

A ilha vulcânica de 541 quilómetros quadrados está situada no Pacífico, entre o estado norte-americano do Hawai e as Filipinas, e representa um ponto vital para as operações militares dos EUA, garantindo acesso a zonas de conflito como o Mar do Sul da China, a península coreana e o Estreito de Taiwan.

Com cerca de 163 mil habitantes, Guam é um território “não-incorporado” dos EUA e um quarto da ilha está coberta por bases militares norte-americanas que atualmente albergam cerca de 6 mil tropas, um número que a administração Trump quer reforçar.

Na sua mensagem oficial, o porta-voz do Exército da Coreia do Norte (KPA) diz que está a ser estudada a possibilidade de atacar Guam “para conter grandes bases militares dos EUA, incluindo a base aérea Andersen”, onde neste momento estão estacionados importantes bombardeiros e um esquadrão de submarinos da frota norte-americana.

Um outro porta-voz do KPA acusou ontem Washington de estar a preparar uma “guerra preventiva” e avisou que qualquer tentativa de atacar o Norte vai conduzir a “uma guerra total” e à “eliminação de todos os bastiões dos inimigos, incluindo o território continental dos Estados Unidos”.

Em resposta às ameaças renovadas, o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, deu ordens ao Ministério da Defesa para uma reforma “urgente” das forças militares por forma a melhorar as capacidades do país se defender de eventuais ataques de mísseis lançados pelo Norte. “Acredito que é necessária uma reforma completa na área da Defesa”, declarou Moon às chefias militares, citado pela agência Yonhap, uma que “não deve limitar-se a algumas melhorias ou modificações”.

George Charfauros, conselheiro de segurança interna de Guam, disse estar confiante de que o Departamento de Defesa dos EUA está a “monitorizar esta situação de perto, estando preparado” para reagir caso Pyongyang concretize a ameaça.

À Associated Press, o porta-voz da legislatura do território, Benjamin J. Cruz, disse que, face à ameaça “muito desconcertante” dos norte-coreanos, a população da ilha “está simplesmente a rezar para que os EUA e o sistema de defesa que aqui temos seja suficiente para nos proteger”. (Jornal Expresso)

por Joana Azevedo Viana

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