Assaltantes matam e aterrorizam em Maputo

Cresce o número de assaltos a residências em Maputo (DR)

Um grupo composto por oito a 10 homens munidos de armas do tipo pistola, catanas e outros instrumentos assaltou, na noite deste domingo, sete residências e matou uma pessoa, no bairro de Beluluane, município de Boane.

Os malfeitores iniciaram a campanha maléfica por volta das 23h00, a qual se estendeu até cerca das 03h00 da manhã de ontem.

Na primeira residência assaltada, o grupo fez uma vítima mortal. Ismael Cassimo foi atingido por três tiros, perante esposa e filhos, quando procurava opor-se a uma tentativa de violação à sua esposa. Na casa do malogrado, dois malfeitores imobilizaram três cães de raça, destruíram a porta do quarto do guarda e fizeram-no refém, enquanto outros invadiam a “casa grande”, onde recolheram três telefones celulares, anéis, jóias e valor monetário não especificado. Na sequência, a esposa e filhos do malogrado foram levados à Cidade de Maputo, para as cerimónias fúnebres de Ismael Cassimo, tendo ficado na residência apenas os seus trabalhadores.

João Saveca, guarda, diz que quando ouviu os gritos da sua patroa, após os mesmos se terem retirado, foi tentar acudir, mas Ismael já estava estatelado no chão, morto. “Era um grupo de oito homens. Dois estavam comigo no meu quarto, dois estavam aqui fora e outros quatro estavam no quarto do patrão. Quando a minha patroa me chamou, fui lá e ela disse que patrão estava desmaiado. Mas quando olhei, vi que já estava morto”, contou João Saveca.

Mais seis casas assaltadas

Nem mesmo o luto instalado na primeira casa impediu o grupo de continuar com os estragos. Seguiram-se mais seis residências, onde quem mostrava resistência era molestado pelos assaltantes. Facto curioso é que as residências assaltadas não eram próximas e os assaltantes entravam já com o conhecimento de quem são os donos.

Numa das casas, vandalizaram a janela e introduziram-se no seu interior. Quando o chefe da família se apercebeu do que sucedia, tentou fugir pela janela do quarto, para procurar socorro. “Mas abri a janela do quarto estava um homem encapuzado e de arma em punho, ameaçando dar um tiro, caso eu gritasse”, contou uma das vítimas, que não quis identificar-se. Logo depois, os assaltantes imobilizaram a esposa e os filhos, tendo recolhido quatro celulares, jóias, um computador e cerca de 25 mil meticais.

Outro cidadão confirmou que os malfeitores entraram na casa sabendo a quem encontrariam: “Eles diziam que fomos indicados as casas onde estamos a entrar e não podes dizer que não tem, porque nós sabemos que você tem. Diziam ainda que sabiam que eu sou teimoso e como poderiam imobilizar-me, por isso, quando reagi, eles fizeram-me cortes no pé com uma catana”.

Numa outra residência, os malfeitores arrombaram a porta e foram directo ao quarto principal. Amarraram o casal, espancaram-no e exigiram dinheiro. “Tirei o dinheiro que tinha na carteira, cerca de 16 mil meticais, e a minha esposa deu os oito mil meticais que tinha na bolsa. Depois exigiram que eu desse os cartões das minhas contas bancárias. Facto curioso é que eu tenho quatro contas, mas eles exigiram os cartões das contas que sabem que têm dinheiro. Pedi-lhes que não nos maltratassem mais e entreguei-lhes os cartões e os códigos”, contou outra vítima, que também não quis identificar-se.

Saiu para acudir e acabou vítima

Zito, residente no bairro de Beluluane, ao ouvir os gritos de socorro de uma das vítimas, saiu para acudir, mas logo foi interceptado pelos assaltantes, que o fizeram refém. “Quando saí para acudir, logo me encontrei com eles e colocaram-me no chão”, contou. De seguida, foi catanado no braço e nas pernas, mas conseguiu fugir para se esconder. Na manhã de ontem, foi levado ao hospital, sendo que já se encontra a recuperar. Enquanto Zito sofria golpes de catana, outro vizinho que também saiu para prestar socorro foi interceptado e espancado, estando agora a receber tratamentos intensivos no Hospital Central de Maputo. (O País)

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