Arranca hoje a contagem dos moçambicanos

Crianças numa escola de Moçambique (RFI/NeidyRibeiro)

Contrariando todas as expectativas, há quem até ao último fim-de-semana não sabia que o censo da população arranca já esta terça-feira. Tal é o caso de Filita Tembe, que reside no bairro de Chamanculo, na Cidade de Maputo. Disse que estará em casa durante o período previsto para o recenseamento (1 a 15 de Agosto), entretanto, não tinha conhecimento do censo. “Que vamos recensear, não sabia. Não tenho tempo para ver televisão nem escutar rádio”, afirmou Tembe.

Há, por outro lado, pessoas que estarão fora de casa, durante os quinze dias do recenseamento. Lino Malagueta, residente no bairro da Mafalala, também na capital, disse que durante o período do censo estará fora de casa, por razões de trabalho. Assegurou, entretanto, que vai deixar os seus documentos de identidade com os filhos, para que possam dar a informação devida aos recenseadores. “Vão encontrar a família, porque eu sou camponês e, na segunda-feira (hoje), vou a Mahubo fazer um trabalho. Mas vou deixar todos os meus dados com a família”, afirmou Malagueta.

Por seu turno, o Instituto Nacional de Estatística (INE) garante que está preparado para todas as situações que encontrar no terreno. Com uma equipa composta por pouco mais de 105 mil pessoas, o INE diz que os líderes comunitários deverão ajudar no processo, de modo a que haja aceitação nas famílias e certeza de que não se trata de malfeitores. E porque o censo arranca hoje, dia de trabalho, o INE diz que haverá espaço para coordenar com as pessoas a sua disponibilidade. “O agente recenseador, com apoio do guia, que será um líder local – que conhece o bairro e que também é conhecido -, vai distribuir o pré-aviso, indicando que no dia seguinte passará pela residência para inquirir”, explicou o porta-voz do INE, Cirilo Tembe. De acordo com o responsável, os recenseadores deverão “dividir o país” em pequenas parcelas, para a sua actuação em todas as residências. Estão envolvidas directamente no processo de recenseamento da população cerca de 196 mil pessoas, incluindo os mais de 105 mil recenseadores.

INE diz que nunca prometeu subsídios durante a formação

O Instituto Nacional de Estatística esclareceu, último sábado, os focos de insatisfação durante a formação dos recenseadores relacionados com questões logísticas, que em algumas situações levaram a manifestações.

Cirilo Tembe, porta-voz do INE, disse que a instituição nunca prometeu subsídio mensal, além dos 60 meticais diários para transporte e uma refeição. “O subsídio prometido era de transporte e foi dado a todas as pessoas. Foram prometidos 60 meticais, para que as pessoas pudessem deslocar-se das suas residências (aos pontos de formação dos recenseadores) ”, clarificou.

Refira-se que, no último censo, em 2007, houve uma margem de erro de dois por cento. Para este quarto recenseamento da população, o INE espera que a margem de omissão seja de zero por cento.

O processo de contagem da população está avaliado em 75 milhões de dólares, tendo a sua preparação iniciado em 2015. Os resultados finais do processo deverão ser divulgados em 2018. (O País)

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