Angola investe mais de 130 milhões de dólares para levar cabo submarino ao Brasil e EUA

Angola investe mais 130 milhões de dólares para levar cabo submarino ao Brasil e aos EUA (FOTO:RTP/ARQ)

O cabo submarino SACS que vai ligar África e América do Sul é lançado hoje, a partir da costa angolana, em Sangano, município da Quissama, pela multinacional de telecomunicações, Angola Cables.

A instalação do SACS na costa angolana é um marco importante na conclusão deste projecto estratégico para Angola, e representa um virar de página nas comunicações digitais mundiais, sobretudo por ser a primeira ligação directa entre os dois continentes, uma rota mais rápida e de elevada capacidade.

O presidente da Comissão Executiva da Angola Cables, António Nunes, disse que quando toda a rede estiver concluída, juntamente com as infra-estruturas envolventes, haverá uma mudança de paradigma no sector, sobretudo porque as comunicações serão muito mais rápidas, menos cinco vezes do tempo necessário para aceder aos conteúdos disponíveis na América, uma região que se posiciona como um dos maiores centros de produção e agregação de conteúdos e serviços digitais.

“Angola está cada vez mais próxima de se tornar num dos centros das telecomunicações na região subsaariana. Os investimentos nos sistemas de cabos submarinos, nomeadamente o WACS, já operacional, o SACS e o Monet e os datacenters estão a criar, não só auto-estradas da informação que vão nos aproximar dos grandes centros de produção de conteúdos e serviços digitais, mas também partes importantes dos grandes circuitos internacionais de telecomunicações”, considera António Nunes.

Os conteúdos produzidos nestas regiões e a conectividade internacional, disponibilizada pelos cabos submarinos, de acordo com António Nunes, poderá gerar grandes benefícios económicos principalmente para Angola, com grande potencial de atracção de empresas tecnológicas da região que precisem de elevada conectividade.

A fase de instalação do cabo em águas rasas é das mais importantes do projecto, não apenas por ser a fase final, mas também por ser a parte em que é exigido vários níveis de interacção e actividade com diversas entidades em simultâneo, e por isso constituir um momento crítico e de alto risco. A protecção tanto do cabo como das equipas envolvidas é um dos aspectos bastante analisado e por isso os trabalhos são rigorosos e bastante planeados.

“A instalação do SACS representa a concretização de um sonho, um desenvolvimento que traduz a nossa capacidade de encontrar soluções e ultrapassar desafios, tendo sempre em vista o objectivo final” disse António Nunes.

Angola Cables é uma multinacional angolana de telecomunicações, fundada em 2009, que opera no mercado de grossista, cujo negócio principal é a comercialização de capacidade em circuitos internacionais de voz e dados através de sistemas de cabos submarinos de fibra óptica.

É um dos maiores acionistas do WACS (West Africa Cable System) fornecendo serviços de nível de operador a operadores em Angola e na região subsaariana, tornando-se assim um dos maiores fornecedores de IP grossista na região.

Seus principais projetos – SACS e Monet – vão interligar três continentes: América do Sul, América do Norte e África, bem como o Data Center de Fortaleza, uma instalação de Nível III que irá interligar os seus sistemas de cabo criando uma rede altamente conectada.

Com seis mil quilómetros de extensão, o cabo que ligará Luanda (Angola) a Fortaleza (Brasil) será composto por quatro pares de fibra com uma capacidade de transmissão de dados de 40 Tbps (terabits por segundo).

O segundo cabo ligará as cidades de Santos e Fortaleza com Boca Raton, na Florida (Estados Unidos da América), com cerca 10.556 quilómetros de comprimento e seis pares de fibra, com uma capacidade de 64 Tbps.

Angola aprovou anteriormente uma garantia soberana de 260 milhões de dólares para financiar a instalação pela Angola Cables de um cabo submarino de fibra ótica entre África e América.

A Angola Cables é maioritariamente detida pela empresa pública Angola Telecom (51%), contando ainda com a Unitel (31%), a Mstelecom (9%), a Movicel (6%) e a Startel (3%) na sua estrutura acionista. (ANGOP/Portal de Angola)

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