80 mil cidadãos correm o risco de não votar

Centenas de eleitores correm o risco de não votar (DR)

As autoridades vão intensificar em todo o país a campanha de entrega dos 80 mil cartões de eleitores em posse das administrações municipais, assegurou ontem, em Luanda, secretário para os assuntos Institucionais e Eleitorais , Adão de Almeida.

“O MAT vai intensificar a mensagem aos cidadãos, para que se dirijam às administrações municipais e solicitem a segunda via dos cartões eleitorais, para que possam exercer o seu direito de cidadania no próximo dia 23”, disse.

Em declarações à imprensa, no final do encontro com os comissários da Comissão Nacional Eleitoral, Adão de Almeida lembrou que 15 dias após a convocação das eleições gerais, o Ministério da Administração do Territótio reabriu os postos de registos para permitir aos cidadãos o levantamento dos cartões e a emissão da segunda via, para de extravio do documento.

Adiantou que todos os dias são entregues mais de dois mil cartões de eleitores, salientando que este processo decorre com normalidade em todo o país até ao próximo dia 21. Por seu turno, a porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral, Júlia Ferreira, afirmou que maior número de pedidos de emissão da segunda via do cartão eleitoral regista-se, sobretudo, nas províncias de Benguela e Luanda.

Aos partidos políticos, a CNE solicita que mobilizem os seus militantes para levantarem os seus cartões de eleitores. Durante o encontro, orientado pelo presidente da Comissão Nacional Eleitoral, André da Silva Neto, foram divulgadas uma série de informações relacionadas com a entrega e emissão da segunda via de cartões eleitorais.

Divulgação dos cadernos

Ainda ontem, o presidente da CNE reuniu-se com os mandatários dos partidos, com os quais abordou questões relacionadas com a campanha eleitoral em curso, incluindo a entrega das listas dos cidadãos eleitores publicados nos cadernos eleitorais.

Segundo a porta-voz da CNE, trata-se da entrega formal de um dispositivo em formato digital feita aos partidos políticos e coligação de partidos, referente às listas dos eleitores e respectiva identificação da mesa e assembleias de votação.

A CNE, referiu, considera que a campanha eleitoral decorre num ambiente “saudável”, apesar da ocorrência de algumas situações de intolerância política em algumas regiões do país.

“Estas situações não põem em causa a serenidade como está a ser desenvolvida a campanha”, afirmou Júlia Ferreira. A CNE reiterou o apelo aos partidos políticos, no sentido de intensificarem as campanhas de mobilização dos militantes para que “estes assumam uma atitude cívica, ordeira e de respeito pela diferença, para permitir que o processo eleitoral tenha um desfecho positivo”.

A porta-voz repudiou a atitude de militantes de determinados partidos políticos de retirarem os disticos da CNE das Assembleias de Voto e removerem as listas dos eleitores afixadas nos locais de votação.

O representante do MPLA no órgão eleitoral, Fernando Caquarta , considerou “salutar” o ambiente político que envolve a campanha eleitoral, salientando que até ao momento não ocorreram situações que coloquem em risco as campanhas de “caça” ao voto dos candidatos presidenciais. O mandatário da UNITA, Estêvão Kachiungo, apelou aos partidos políticos a passarem mensagens de convivência pacífica aos militantes, e saudou a iniciativa da CNE de entregar aos partidos políticos concorrentes o ficheiro informático com a lista dos cidadãos eleitores.

A representante da CASA-CE, Cezinanda Xavier, também considera que a questão relacionada com a entrega dos cartões eleitorais não deve ser apenas tarefa do Ministério da Administração do Território, mas de todos os partidos políticos e coligação de partidos concorrentes ao pleito do próximo dia 23.

Manuel Muxito, do PRS, considera que o dispositivo electrónico contendo a lista dos partidos políticos vai ajudar na divulgação dos cadernos eleitorais.

O mandatário da FNLA, Gabriel Simão Gaspar, disse que o partido vai avaliar a lista dos eleitores e depois ajudar a divulgá-la. Criticou as acções de intolerância política observadas em algumas regiões do país, que, em sua opinião, em nada ajudam a democracia.

Edilsom Francisco da Aliança Patriótica Nacional lamentou o facto do seu partido não ter entregue a lista dos delegados para a fiscalização do processo nas assembleias de voto. Disse esperar que as Comissões Eleitorais Provinciais sejam mais transparentes nas suas acções. (Jornal de Angola)

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