Vice-Presidente visita Campus

Vice-presidente Manuel Vicente (Foto: Reuters)

Uma comissão para identificar e resolver os principais problemas que afectam o Campus da Universidade Agostinho Neto foi ontem criada pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, durante uma visita ao local, situado em Camama, Luanda.

Manuel Vicente, que efectuou uma visita ao local, situado no município do Kilamba-Kiaxi, em Luanda, disse que foi traçado um plano de recuperação das infra-estruturas degradadas, manutenção e continuidade das obras de construção.
O ministro das Finanças, Archer Mangueira, informou que a comissão vai identificar as prioridades e de forma faseada resolver os problemas com eficiência.

“A orientação foi no sentido de garantir pelo menos, o funcionamento deste complexo que é enorme e tem funcionalidades que exigem algum esforço”, disse, adiantando que, no âmbito do orçamento que está ser executado, o Executivo vai fazer o possível para fazer alguma coisa com os poucos recursos existentes.
A prioridade, reforçou o ministro, é garantir o funcionamento e a segurança das instalações.

O governador de Luanda, Higino Carneiro, disse que a visita do Vice-Presidente da República teve como objectivo constatar os problemas que já eram do conhecimento do governo provincial. “O vice-Presidente da República constatou, orientou e vamos trabalhar para suprir as dificuldades e tomar medidas para resolver os problemas”, assegurou o governador.

Até à conclusão das obras de construção do campus universitário, Higino Carneiro garantiu melhorias, particularmente no que diz respeito à segurança e ao fornecimento de energia eléctrica.

A falta de conclusão das obras de construção da primeira fase do Campus Universitário está a dificultar o normal funcionamento daquela instituição de ensino superior, inaugurado em Novembro de 2011, pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Maria Sambo, a reitora da Universidade Agostinho Neto, informou que até ao momento não foram construídos os laboratórios e as oficinas para as faculdades de Engenharia e de Ciências, o que obriga a transferência dos estudantes, após a conclusão do segundo ano, para as filiais destas instituições de ensino espalhadas pela cidade de Luanda, sem capacidade para receber um número elevado de estudantes.

Novos espaços

A entrega do espaço provisório para os gabinetes da reitoria ainda não foi feita, nem a ligação dos dois geradores e dos respectivos tanques de combustível, informou. A reitora acrescentou que a ligação da maioria dos elevadores também ainda não aconteceu, bem como a reparação do único que esteve operacional algum tempo, que facilitava o transporte dos estudantes com deficiência física para os andares superiores.

Enquanto dura a avaria do elevador, por dívida da empresa de construção Somague com outra responsável pela manutenção, explicou, os estudantes que andam em cadeiras de rodas são levados às salas de aulas nos braços de colegas solidários. A reitora da UAN deu a conhecer ainda que os laboratórios de ensino da Física continuam sem equipamentos e materiais para as aulas práticas, e os de Química estão inoperantes por falha no sistema de evacuação de gás e outros problemas técnicos.

Além disso, continuou, estão inoperantes as bombas de sucção de água, situação que causa inundações e danificação do mobiliário da biblioteca, e a via de acesso à área técnica, aos edifícios do lar dos estudantes e à residência dos docentes está sem iluminação. A situação facilita o roubo de cabos eléctricos, violações aos estudantes e pessoal da administração do Campus Universitário.

Maria Sambo disse que as ocorrências são comunicadas ao Serviço de Investigação Criminal, a quem recomenda o reforço do número de agentes da Polícia no Campus e de meios adequados para o patrulhamento nas zonas críticas. No Campus Universitário tem havido mortes de estudantes por atropelamento, frente ao Centro Comercial Ulengo, devido à
falta de pedonais e excesso de velocidade dos automobilistas.

Outra situação que preocupa é a entrada à força de cidadãos que se apresentam como oficiais de organismos de defesa e segurança no interior do campus para a utilização da via que dá acesso à rua direita do Camama e a rua do Estádio 11 de Novembro.

Criação do Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto

O Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto foi inaugurado em 2011, pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e entrou em funcionamento com as faculdades de Química, Matemática, Ciências de Computação e Física.
A instituição conta actualmente com uma população universitária de 4.110 pessoas, entre estudantes, docentes e pessoal não-docente. A Reitoria tem como prioridade a construção de dois auditórios, um de 500 e outro de 1.000 lugares, quatro anfiteatros, instalações de ensino e investigação para as ciências da Saúde, um hospital universitário e o edifício da reitoria.

A Reitoria pretende ainda a realização de um concurso público especial para admissão de mais docentes a nível da Universidade e promoção dos que já existem e são um total 970. Destes, 879 são nacionais. Quanto aos estudantes, a UAN tem 23.249 nos cursos de licenciatura, 2.064 em pós-graduação e 885 funcionários.

A Universidade Agostinho Neto tem a sua origem nos Estudos Gerais, criados em 1962 pelo Governo colonial português. Em 1968, os Estudos Gerais foram transformados em Universidade de Luanda. Em 1976, depois da proclamação da Independência Nacional, mudou o nome para Universidade de Angola e, em 1985 passou a designar-se Universidade Agostinho Neto (UAN), em homenagem ao seu primeiro Reitor na Angola independente, o Presidente Agostinho Neto. De acordo com os seus estatutos, a UAN garante a liberdade de criação científica, cultural e tecnológica, numa perspectiva de respeito e promoção da pessoa humana, da comunidade e do meio ambiente. (Jornal de Angola)

por Josina de Carvalho

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