Preço do dólar nas ruas de Luanda inalterado depois de duas quedas

U.S. Dólares (DR)

O preço para comprar uma nota de dólar norte-americano nas ruas de Luanda permaneceu inalterado na última semana, nos 375 kwanzas (1,98 euros), depois de duas quedas semanais, conforme rondas feitas pela Lusa no mercado informal.

Ainda assim, a cotação de rua permanece mais do dobro acima da taxa de câmbio oficial definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que está há mais de um ano fixa nos 166 kwanzas (90 cêntimos de euro).

Desde Maio que cada nota de dólar norte-americano era vendida, segundo a cotação de rua, ilegal, mas também indicativa para vários setores de actividade, entre os 370 e os 390 kwanzas (cerca de dois euros), depois de descidas acentuadas entre março e Abril, tendo subido no final de Junho para cerca de 400 kwanzas.

Esta quinta-feira foi possível encontrar em Luanda cada dólar a ser vendido entre os 375 e os 380 kwanzas em bairros de referência da capital, como Mártires de Kifangondo, Mutamba, São Paulo ou Maculusso, praticamente idêntico à semana anterior.

Na segunda quinzena de março, cada dólar chegou a ser vendido pelas ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas, a 340 kwanzas (1,84 euros), no que foram então mínimos do ano.

Ainda assim, estes valores na cotação informal contrastam com o pico de 500 kwanzas (2,70 euros) por cada dólar dos primeiros dias de Janeiro.

Actualmente, mantêm-se as limitações no acesso a divisas nos bancos, inclusive nas contas em moeda estrangeira, situação que torna a venda paralela, para muitos nacionais e estrangeiros, a única forma de aceder a dólares ou euros em Angola.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre de 2016.

A atividade das ‘kinguilas’ foi condenada em abril pelo governador do BNA, que advogou o seu fim.

“Não podemos ter, no nosso país, determinadas ruas que definem a referência do preço, onde se vendem dólares ou euros. Não podemos ter este nível de fluxo financeiro no mercado informal, que tem um grande impacto sobre o sistema financeiro”, justificou Valter Filipe.

As taxas de rua já estiveram próximas dos 600 kwanzas por cada dólar em agosto e julho, depois de máximos de 630 kwanzas em junho, face à falta de dólares nos bancos. (Observador)

por Lusa

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