Planeamento familiar seguro contribui para o bem-estar da mulher

Duas jovens grávidas, em Bangcoc, no dia 29 de outubro de 2013 (Afp)

O acesso ao planeamento familiar seguro e voluntario contribui para o bem-estar das mulheres, permitindo-lhes espaçar a gravidez, reduzir os riscos de problemas de saúde e até mesmo evitar abortos inseguros e eventualmente trágicos, afirmou o ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo

O responsável fez essa afirmação quando intervinha nesta Sextafeira, 15, em Luanda, na apresentação dos resultados do Estudo sobre a gravidez precoce feito na província de Luanda, na Escola de Formação de Técnicos de Saúda.

De acordo com o responsável, o planeamento familiar permite que as pessoas façam escolhas informadas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva e que as mulheres adquiram conhecimentos e se emancipem protegendo-se melhor contra os riscos para a sua saúde, particularmente contra as infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o VIH/Sida.

Informou que Angola conta actualmente com uma população estimada em 26 milhões de habitantes e como uma taxa de fecundidade de 6,2. Segundo as projecções nacionais, a população total aumentará em 19% até 2034 e atingirá o dobro em 2050.

“Em Angola cerca de 65% da população tem menos de 25 anos de idade. Segundo o Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde 48% da população casam ou estão em união de facto antes dos 18 anos de idade e 34% dos adolescentes dos 15 aos 19 anos de idade engravidaram pela primeira vez, mostrando que cada vez mais as raparigas tornam-se mães e mulheres de forma precoce com todos os riscos sobretudo em relação à condição de saúde”, disse.

Porém, acrescentou que o mesmo inquérito revela que cerca de 40% das mulheres não satisfazem as suas necessidades de planeamento familiar, daí a necessidade de melhorarem a prestação nesta área aumentando o acesso. Para o Ministério da Saúde, o planeamento familiar é uma das componentes-chave para a redução da mortalidade materna e infantil.

Milhões de jovens em idade reprodutiva não têm conhecimentos sobre sexualidade

A representante do Fundo das Nações Unidas para a População em Angola, Florbela Fernandes, explicou que milhões de jovens em idade reprodutiva não têm conhecimentos, habilidades e serviços de que necessitam para fazer escolhas informadas sobre a sexualidade e a contracepção, as suas necessidades e os seus direitos devem ser abordados com urgência.

“Precisamos de prestar especial atenção às necessidades específicas dos jovens, particularmente das raparigas adolescentes”, disse, acrescentando que o UNFPA estabeleceu uma meta ambiciosa e transformadora para eliminar as demandas insatisfeitas por planeamento familiar até 20130. Segundo a responsável, cuidados com saúde reprodutiva, incluindo o planeamento familiar voluntário, geram um impacto positivo nas economias globais, sendo que um sistema de Saúde reprodutiva efectivo pode apoiar as mulheres a concluírem os seus estudos, a se unirem à força de trabalho, a serem mais produtivas em seus empregos, a ganharem salários mais altos e a aumentarem as suas economias e investimentos, ou seja, contribuírem para o Desenvolvimento da Nação.

Explicou ainda que além de ser fundamental para o estabelecimento de igualdade do género e o empoderamento da mulher, o planeamento familiar reduz a mortalidade materna infantil e é um factor económico considerável na redução da pobreza.

“Reconhecemos que, todos os dias, mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente as mais pobres e refugiadas, enfrentam obstáculos sociais, económicos e geográficos para terem acesso às informações e aos serviços de planeamento familiar”, reconheceu.

Florbela Fernandes apelou para a intensificação de esforços e alocação de recursos para que o acesso à saúde sexual e reproductiva, incluindo o planeamento familiar voluntário e seguro seja uma realidade para os angolanos.

As actividades ficaram sob a liderança do Ministério da Saúde, com a participação dos Ministérios da Assistência e Reinserção Social, da Família e Promoção da Mulher, da Educação, do Planeamento e Desenvolvimento Territorial, bem como do Instituto Angolano de Estatísticas, contando com o apoio do UNFPA, O Fundo das Nações Unidas para a População. (O País)

DEIXE UMA RESPOSTA