Pedrógão, Tancos, férias e demissões são armas contra Costa do debate do Estado da Nação

António Costa (DR)

Oposição prepara ataque cerrado ao governo no último debate do ano parlamentar.

O primeiro-ministro abre esta quarta-feira o debate sobre o estado da Nação, no parlamento, com um discurso de balanço dos dois anos de Governo e com a identificação dos principais desafios até ao final da legislatura. António Costa dispõe de 40 minutos para a sua intervenção inicial neste debate que encerra o ano parlamentar, mas fonte do Governo disse à agência Lusa que o primeiro-ministro apenas conta usar cerca de dois terços desse tempo.

O primeiro-ministro dedicará a primeira parte do seu discurso a um balanço dos resultados alcançados nas esferas económica, financeira e social nos dois primeiros anos da legislatura. Na segunda parte, segundo fonte do executivo, Costa elencará as principais reformas estruturais a fazer, salientando neste ponto, em particular, a importância de uma boa aplicação dos fundos comunitários do Portugal 2020.

Mas Costa não pode esperar palavras amáveis da oposição neste regresso ao Parlamento. Os incêndios de Pedrógão Grande, o roubo de armas em Tancos, a contestação aos ministros da Defesa e Administração Interna, as demissões dos três secretários de Estado por causa da investigação sobre viagens pagas pela Galp ao Euro 2016 e as próprias férias que o primeiro-ministro tirou no momento mais difícil da governação estarão, certamente, no discurso dos deputados do PSD e do CDS-PP. À esquerda, espera-se mais moderação do BE e do PCP, mas nem a geringonça poderá calar todas as críticas ao período que atravessa o executivo socialista.

O primeiro-ministro surge no Parlamento ainda antes de concluído o processo de substituições dos secretários de Estado, que poderão ser mais do que três. Fontes governamentais apontam que o processo deverá estar concluído entre quinta e sexta-feira desta semana, cabendo depois a marcação da posse ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Em declarações à Lusa a propósito do debate desta quarta-feira, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, salientou que na dimensão económica, social e orçamental os resultados do Governo no último ano “são objetivamente bons”, mas admitiu que possam ficar secundarizados no debate face a outros temas de atualidade política.

“Depois de um ano em que o Governo batalhou para ganhar credibilidade do ponto de vista interno e externo essa batalha foi ganha”, defendeu. Mas o Executivo deverá ser conforntado com as cativações de despesa que tem feito em vários ministérios. A oposição promete confrontar o Governo no debate com as cativações de perto de mil milhões de euros, com os sociais-democratas a falarem de “austeridade manhosa” e os democratas-cristãos a exigirem conhecer o “real estado do país”.

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, defendeu que “há já evidências de que a política financeira deste Governo tem impacto na vida das pessoas”, acusando o Governo “de uma austeridade manhosa, porque não assumida”, ao aumentar impostos indiretos e piorar a qualidade dos serviços públicos. Na mesma linha, o presidente da bancada do CDS-PP, Nuno Magalhães, exige que o primeiro-ministro diga onde foram feitos os cortes e defendeu que existem “dois estados da Nação”: “Há o que o senhor ministro das Finanças com um truque orçamental inventou e o estado real”.

BE, PCP e PEV vão congratular-se com o caminho de reposição de rendimentos feito no último ano e meio de governação socialista, mas prometem insistir na rutura com “a política de direita” e os “constrangimentos europeus”. Por seu lado, à Lusa, o PS elogiou o papel dos partidos que apoiam o Governo, mas alertou que “o passo não pode ser maior que a perna”.

No debate sobre o estado da Nação, o PS vai centrar as suas intervenções na saúde, pela “vice” da bancada Luísa Salgueiro, e na modernização do Estado, nesta última área com um discurso da deputada Jamila Madeira. O presidente do Grupo Parlamentar do PS, Carlos César, encerra as intervenções dos socialistas, centrando-se num balanço do último ano e nas “contradições” políticas dos presidentes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Assunção Cristas.

O deputado único do PAN, André Silva, partido que não integra a chamada ‘geringonça’, gostaria de ouvir do primeiro-ministro no debate desta quarta-feira que a natureza e o ambiente passem a ser “de uma vez por todas” uma prioridade para o Governo. Depois do debate do estado da Nação haverá ainda um último plenário marcado para 19 de julho, mas quase completamente preenchido por votações. (Correio da Manhã)

por Lusa

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