Organização internacional lança petição para proibir comércio de marfim na UE

A China é o maior destino mundial de marfim e proibiu recentemente a maioria das importações (NARONG SANGNAK/EPA)

Foi lançada esta segunda-feira uma campanha para proibir o comércio de marfim na Europa. A petição vem do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal que quer ver medidas “urgentemente”.

O Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal lançou esta segunda-feira uma campanha para proibir o comércio de marfim na Europa, iniciativa que inclui uma petição dirigida ao comissário europeu e aos ministros do Ambiente, incluindo o português.

Apelamos agora, à Comissão Europeia e aos Estados-Membros da União Europeia, que encerrem os seus mercados internos de marfim e que proíbam a importação e a exportação de artigos de marfim trabalhados”, refere o texto que a organização propõe para os europeus enviarem ao comissário para o Ambiente, Karmenu Vella, e, no caso de Portugal, ao ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

A iniciativa que, em Portugal, teve a colaboração da Quercus, lançou também um vídeo a chamar a atenção para a venda de marfim que “ameaça dezenas de milhares de elefantes em África”, abatidos de forma “lenta e desumana”, desequilibrando populações inteiras destes animais.

Numa informação divulgada esta segunda-feira pela Quercus, é referido um inquérito realizado pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW, na sigla em inglês) em 15 países europeus. Em Portugal, o estudo concluiu que cerca de dois terços (65%) dos portugueses apoiariam uma nova proposta para acabar com todo o comércio de marfim na Europa, uma opinião semelhante à média da União Europeia (UE).

À pergunta acerca do interesse em comprar produtos de marfim antigos, 89% dos portugueses disseram não estar interessados, perto dos 90% da média europeia, mas 8% ainda admitem ter interesse. Portugal, como outros países da UE, referem as associações, “continua a comercializar marfim em mercados, leilões e online, estimulando o interesse para esta matéria-prima em mercados asiáticos e encobrindo, com o marfim antigo, a caça ilegal que se mantém todos os dias no coração de África”.

A directora do IFAW-UE, Sonja Van Tichelen, citada na informação, defende que, “com os elefantes a serem abatidos a um ritmo alarmante, o marfim não deve continuar a ser visto como um objeto desejável”. A IFAW reconhece o esforço da Comissão Europeia que, em maio, publicou um documento a recomendar que, a partir de 1 de julho, os Estados-Membros deixem de emitir certificados de exportação de marfim em bruto, mas defende a necessidade de mais medidas, “urgentemente”.

O ininterrupto comércio legal de marfim ameaça a existência de elefantes na natureza e todos os anos, pelo menos, 20.000 animais são mortos pelo marfim”, alertam os ambientalistas.
Segundo o IFAW, a UE é atualmente o maior exportador de marfim para a China e Hong Kong. A China, o maior destino mundial de marfim, proibiu recentemente a maioria das importações, assumiu o compromisso de encerrar o seu mercado deste produto até ao final de 2017 e apelou à UE que adotasse também uma posição mais forte, acrescenta a organização internacional.

O estudo da IFAW realizado junto dos cidadãos europeus aponta ainda que “apenas 42% dos inquiridos estavam cientes de que os elefantes eram brutalmente mortos pelo marfim e 24% desconheciam que os elefantes morrem pelas suas presas”. (Observador)

por Lusa

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