João Lourenço está com os professores

Joao Lourenço durante a visita no Centro Recreativo Cultural de Catete (Foto: Francisco Miudo)

O candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, assegurou ontem aos professores do ensino geral que o MPLA vai trabalhar para um ensino acessível a todos, exigente, competitivo e com mais qualidade, que na prática prepare os estudantes melhor capacitados para ingressarem no ensino superior

João Lourenço, que falava num encontro em Luanda com os professores do ensino geral e profissionais da saúde, realizado no Centro de Conferência de Belas, defendeu que um ensino de qualidade depende do nível de preparação dos professores e não apenas da existência de salas de aulas climatizadas e com boas carteiras.

“Teremos bons alunos não tanto em função das comodidades da sala de aulas onde estudam, mas sobretudo da qualidade dos docentes e da sua capacidade de transmitir os conhecimentos, do empenho e entrega à causa de formar com qualidade dos quadros do amanhã”, justificou João Lourenço, para afirmar que o país precisa de homens bens formados e saudáveis, com competências académicas, técnico-profissionais e culturais à altura das necessidades do desenvolvimento que se pretende. A boa formação, referiu João Lourenço, deve começar nos primeiros níveis de ensino.

O candidato sugeriu que se repense no modelo educativo e pedagógico que melhor satisfaça os interesses e metas traçadas pelo partido. “Precisamos de docentes inovadores e com liderança nos processos de transformação à vista”, reforçou, lembrando que os profissionais do sector da Educação representam 50 por cento da função.

Relativamente ao sector da saúde, que congrega 15 por cento dos trabalhadores da função pública, João Lourenço disse que o MPLA vai trabalhar para humanizar mais os cuidados de saúde prestados à população.

O objectivo, explicou o dirigente político, é fazer com que o paciente procure pelos serviços de saúde confiante no profissionalismo da equipa médica e paramédica e que será tratado com a dignidade que merece.

“Este nível de qualidade que os sectores da Educação e da Saúde podem e devem necessariamente oferecer será alcançado através de um maior investimento na formação técnico-profissional dos quadros, maior rigor na supervisão das suas actividades quotidianas, maior exigência para a prestação de contas, combate cerrado às más práticas que prejudicam toda a sociedade e, sobretudo, através da promoção profissional e do reconhecimento comprovado do mérito de cada um”, disse o vice-presidente do MPLA.

Para João Lourenço, os serviços públicos têm de ter melhor qualidade porque devem servir a todos os cidadãos angolanos, independentemente da sua condição social ou financeira, e a responsabilidade destes profissionais é maior do que a de quem trabalha no sector privado, que atende apenas quem pode pagar esses serviços.
Dignificação das carreiras

O Executivo que sair das eleições de 23 de Agosto, disse João Lourenço, vai trabalhar na dignificação das carreiras de professor, enfermeiro e técnico de saúde para que correspondam ao nível de exigência que se vai introduzir, e melhorar a qualidade dos serviços prestados nos sectores da Educação e da Saúde em resposta ao slogan do MPLA “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”. Os professores do ensino geral e os profissionais de enfermagem solicitaram ao candidato, caso vença as eleições, a melhoria das condições de trabalho, o pagamento do subsídios de isolamento para os quadros destacados nos municípios e a revisão e actualização do Estatuto da carreira dos funcionários da Educação e Saúde.

Além destas preocupações, que são comuns entre os profissionais do dois sectores, o representante da Ordem dos Enfermeiros de Angola, Vasco Matemba, pediu o reforço do abastecimento de medicamentos e dos recursos financeiros disponibilizados às unidades hospitalares, bem como um maior investimento no programa de municipalização dos serviços de saúde.

O Sindicato Nacional Independente dos Trabalhadores da Função Pública, com 47.400 membros, pediu que sejam disponibilizadas verbas para a realização do concurso público para a admissão de mais quadros para reforçar o atendimento. Já o Sindicado Nacional dos Enfermeiros, com 22.000 filiados, pretende facilidades para o acesso ao crédito para a compra de habitação e meios de transporte.
As outras preocupações do sector da Educação, apresentadas pelo Sindicato dos Professores, tiveram a ver com a continuidade dos desmaios nas escolas.

Professores defendem isenção de impostos

A Associação Nacional para o Ensino Particular (ANEP), com um registo de 1.602 colégios, pretende que as instituições de ensino privado sejam autónomas, à semelhança das escolas estrangeiras e consulares, para deixarem de depender das escolas públicas no reconhecimento dos seus certificados.

O representante desta associação, António Pacavira, defendeu a isenção do pagamento do imposto industrial por um período de 10 anos, como acontece com as empresas do sector agrícola, para permitir a redução do preços das propinas, a criação de uma rede nacional de creches para melhor preparação dos alunos que entram para o ensino primário, instituição do regime da monodocência assistida nas disciplinas de matemática, física e química e a introdução da disciplina de xadrez, para melhorar o raciocínio lógico dos estudantes e a aprendizagem dos conteúdos das disciplinas práticas.

António Pacavira considerou ainda necessário o estágio obrigatório para os alunos de todos os cursos técnico-profissionais, e não apenas o de enfermagem, a criação de uma indústria especializada no fabrico de materiais escolares, de modo a permitir a sua compra a preços mais baixos.

O secretário provincial da Associação dos Professores de Angola (APA), Domingos Álvaro, pediu um plano de formação permanente para os quadros com menos de três anos de serviço e aqueles sem agregação pedagógica, distribuição do material escolar três meses antes do início do ano lectivo e a nomeação de quadros com experiência comprovada para a direcção das instituições de ensino.

Várias individualidades também elogiaram a iniciativa do candidato do MPLA a Presidente da República de reunir a classe para ouvir deles os problemas e procurar soluções duradoras para o bem do país. (Jornal de Angola)

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