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EUA: Chefe da diplomacia inicia périplo pelo Golfo para solucionar crise
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EUA: Chefe da diplomacia inicia périplo pelo Golfo para solucionar crise

O chefe da diplomacia norte-americana, Rex Tillerson, inicia hoje no Kuwait um périplo pela região do Golfo com o objectivo de solucionar a crise diplomática protagonizada pelo Qatar e um conjunto de países árabes, incluindo a Arábia Saudita.

Este périplo, que vai incluir também passagens por Doha (Qatar) e por Riade (capital saudita), surge numa altura em que o processo negocial para tentar resolver esta crise regional sem precedentes, sob a mediação do Kuwait, não apresenta quaisquer progressos.

Após uma deslocação à Turquia, onde também abordou esta crise que envolve aliados estratégicos dos Estados Unidos, o secretário de Estado norte-americano será recebido hoje pelo emir do Kuwait, xeque Sabah Ahmed al-Sabah, antes de um encontro com o seu homólogo kuwaitiano, xeque Sabah Khaled al-Hamad al-Sabah.

Antes de Rex Tillerson, já outros responsáveis internacionais deslocaram-se à região para tentar oferecer, sem sucesso até à data, os seus contributos para tentar resolver esta crise, reconhecida como a mais grave crise regional desde a guerra do Golfo de 1991.

Foi o caso dos ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, da Alemanha e de Omã, mas também de um alto responsável das Nações Unidas.

A 05 de junho, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Bahrein cortaram relações diplomáticas com o Qatar, que acusam de apoio ao terrorismo.

Os quatro países também impuseram a Doha sanções económicas, com Riade a encerrar a sua fronteira terrestre com o Qatar, a única do território qatari.

Posteriormente, numa lista de 13 pontos – apresentada ao Qatar pelo Kuwait – os países exigiram o encerramento da televisão Al-Jazira, de uma base militar da Turquia no Qatar e uma redução das ligações diplomáticas com o Irão (país de maioria xiita), o grande rival da sunita Arábia Saudita no Médio Oriente e um alvo de duras críticas por parte do Presidente norte-americano Donald Trump.

Ainda como condição para solucionar esta crise, os quatro países exigiram que Doha corte quaisquer contactos com a Irmandade Muçulmana e com grupos fundamentalistas islâmicos como o xiita Hezbollah, a Al-Qaida e o Estado Islâmico.

As autoridades de Doha rejeitam as acusações de apoio ao terrorismo e afirmaram que a lista de exigências apresentada é “irrealista e inadmissível”, bem como representa uma violação da soberania do Estado qatari.

Perante a resposta de Doha, os quatro países árabes ameaçaram avançar com novas sanções, mas sem precisar os respetivos termos.

Os Estados Unidos, que têm no Qatar uma base militar estratégica na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) e uma frota da marinha americana estacionada no Bahrein, têm importantes interesses económicos e políticos na região do Golfo, que garante um quinto do fornecimento mundial de petróleo.

No entanto, a administração de Donald Trump tem lançado sinais contraditórios face à actual crise.

Se o chefe de Estado norte-americano fez afirmações que indicavam um apoio subentendido ao isolamento do Qatar, que acusou publicamente de ter “financiado o terrorismo ao mais alto nível”, já o seu chefe da diplomacia tem adoptado uma estratégia de neutralidade.

Em declarações à agência noticiosa francesa AFP, o analista político kuwaitiano Abdallah al-Shayeji disse acreditar que este périplo de Tillerson revela um compromisso sério por parte dos Estados Unidos para resolver a crise.

“Esta é uma última tentativa para salvar a situação e para tentar resolver a crise que tem implicações na estabilidade regional, na luta contra o terrorismo e na campanha contra a EI”, referiu o analista político. (Notícias ao Minuto)

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