Dívida petrolífera regista forte queda

Sonangol (Foto: Lusa/DR)

A Sociedade Nacional de Combustíveis (Sonangol) fechou 2016 com mais de 1,650 mil milhões de kwanzas (10 mil milhões de dólares) em empréstimos de curto, médio e longo prazo, ainda assim uma redução face ao contabilizado no ano anterior.

De acordo com dados do relatório e contas da empresa, a petrolífera reduziu o valor dos empréstimos de médio e longo prazo em 18 por cento, face aos 1,399 triliões de kwanzas contabilizados no final de 2015, para 1,144 triliões de kwanzas, o que corresponde a uma quebra de cerca de 255 mil milhões de kwanzas no espaço de um ano.
No plano inverso, o valor dos empréstimos de curto prazo subiu quase 13 por cento no último ano, para 507,4 mil milhões de kwanzas.No total, a dívida da Sonangol aos bancos e financiadores desceu em 2016 pouco mais de 10 por cento, o equivalente a cerca de 200 mil milhões de kwanzas .

Ainda no passivo corrente da empresa – que inclui os empréstimos de médio e longo prazo -, a Sonangol aumentou a rubrica das provisões para riscos e encargos, passando de 840.762 milhões de kwanzas para 1,222 biliões de kwanzas registados no final de 2016.

No total, o passivo não corrente da Sonangol agravou-se em cerca de sete por cento em 2016, atingindo os 2,608 triliões de kwanzas, para activos que subiram, no mesmo período, quase 25 por cento, para 3,136 triliões de kwanzas.
Já em Abril deste ano, a Sonangol anunciou a poupança de 200 milhões de dólares (33,4 mil milhões de kwanzas) com a redução dos custos decidida depois de Junho do ano passado, quando Isabel dos Santos chegou ao conselho de administração da companhia.

No mesmo mês, o administrador para a Área de Operações que anunciou que a companhia traçara a meta de economizar 500 milhões de dólares (83,5 mil milhões de kwanzas) com a redução de custos.

O Conselho de Administração da Sonangol, num comunicado divulgado em Novembro do ano passado, revelou previsões de poupanças de 240 milhões de dólares (mais de 40 mil milhões de kwanzas) por ano em resultado de medidas tomadas durante os primeiros cinco meses de mandato.

Antes, dias depois da entrada em funções, o presidente da comissão executiva da companhia, Paulino Jerónimo, indicou à imprensa no fim de uma reunião com representantes das empresas que operam em Angola, que a meta é baixar os custos da produção de 14 dólares, naquela altura, para entre oito e dez dólares por barril.
A Sonangol, o maior grupo empresarial em Angola, só em custos com pessoal pagou 157.888 milhões de kwanzas ao longo do ano de 2016, um aumento superior a 14 por cento face ao ano anterior.

Em Dezembro de 2016, ao fim de seis meses em funções, a presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Isabel dos Santos, admitiu que a situação da petrolífera “é bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado”, obrigando a “decisões de gestão com carácter de urgência”.

A conjuntura da empresa, disse, “conduziu a uma situação difícil perante os credores internacionais, dificultando a capacidade de obter novos financiamentos fundamentais para a sustentabilidade das operações, manutenção dos níveis de produção, pagamentos a fornecedores e cumprimento dos seus compromissos financeiros”.

Isabel dos Santos avançou na mesma altura que a dívida financeira do grupo para 2016 estava então estimada em 9.851 milhões de dólares e que existia a “necessidade de contrair novos financiamentos”, em face dos compromissos financeiros “ainda por financiar”, para que a Sonangol “possa cumprir com os pagamentos até ao final do ano”.

Esta necessidade, adiantou, totalizava mais 1.569 milhões de dólares. A administração da Sonangol foi liderada desde 2012 até à nomeação (Junho de 2016) de Isabel dos Santos pelo chefe de Estado, por Francisco de Lemos José Maria, que por sua vez sucedeu a Manuel Vicente, eleito então Vice-Presidente da República.

Perfuração de xisto deve diminuir nos Estados Unidos

O número de plataformas de perfuração de petróleo nos Estados Unidos subiu para 763 na semana passada, o mais alto em mais de dois anos, mostrando que, apesar do comércio de petróleo abaixo de 50 dólares o barril, os exploradores de petróleo de xisto continuam a aumentar a sua actividade.

Mark Richard, da Halliburton, vice-presidente sénior de desenvolvimento e comercialização de negócios globais, vê esse número acima de mil plataformas, até o final do ano, mas não além disso. Conforme vaticina, as empresas de serviços de petróleo reduziram drasticamente as suas actividades, quando a procura também caiu, por causa dos preços do petróleo, e isso levou mais tempo do que o esperado, para reajustar a produção.

É provável que o “boom” de perfuração de xisto dos EUA diminua no próximo ano, já que a demanda no sector de serviços da indústria é insustentável, disse o chefe de desenvolvimento de negócios da Halliburton durante o WPC em Istambul.

Mark Richard disse que vê de 800 a 900 plataformas como um nível mais sustentável no médio prazo. O aumento da actividade do “shale” tem sido um grande benefício para empresas como a Halliburton, que fornecem equipamentos para o sector e Mark Richard disse ter conseguido elevar os preços nos EUA, devido à crescente procura.

No entanto, o apetite por equipamentos de petróleo e gás ainda é fraco, fora das Américas, disse Mark Richard. “Nós atingimos o fundo do poço no primeiro semestre deste ano e os nossos clientes estão a ficar entusiasmados com o momento, mas ainda não vemos a nossa actividade a aumentar”. (Jornal de Angola)

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