China aborda indústria militar e cooperação no domínio da defesa com Angola

MINISTROS DA DEFESA NACIONAL DE ANGOLA, JOÃO LOURENÇO (À DIR.) E DA CHINA, CHANG WANQUAN (À ESQ.) (FOTO: LINO GUIMARÃES)

O lançamento efectivo da indústria militar angolana, em parceria com empresas chinesas, foi um dos temas dominantes das conversações realizadas ontem, em Luanda, entre as delegações de Angola e da China, chefiadas pelos ministros da Defesa dos dois países.

As duas delegações abordaram igualmente outros assuntos inerentes à cooperação no domínio da Defesa e das Forças Armadas. Depois dessas conversações, o ministro chinês e a delegação que o acompanha foram recebidos, em audiência, pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente.

Na perspectiva do ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, que falava na abertura das conversações, a cooperação entre Angola e China necessita de uma nova abordagem e de uma nova dinâmica, que obedeça sempre ao princípio do respeito mútuo, tratamento e valorização equitativa dos interesses de cada país.

João Lourenço manifestou a total disponibilidade do Executivo angolano para consolidar e estreitar a cooperação mutuamente vantajosa com a China e disse esperar que a visita do seu homólogo chinês sirva para reforçar os laços de amizade e de cooperação entre os dois países, assentes numa base sólida e duradoura. O ministro da Defesa Nacional reconheceu que a República Popular da China sempre esteve presente nos momentos mais difíceis da vida política, social e económica do país, e disse querer que continue a estar ao lado dos angolanos, particularmente no processo de modernização das suas Forças Armadas.

“A China é uma nação amiga que apoiou, sem reservas, a luta de libertação nacional e que hoje permanece ao nosso lado no processo de reconstrução nacional e do desenvolvimento económico e social, visando o bem-estar dos angolanos”, reforçou João Lourenço, para quem este país asiático é um parceiro estratégico privilegiado de Angola.
O ministro da Defesa Nacional informou que as atenções do Executivo angolano continuam viradas para a consolidação e reforço da modernização das FAA, através de acções que visam reequipar, manter e potenciar as suas capacidades de defesa e persuasão, com particular destaque para a actualização da técnica de combate. O Executivo angolano, acrescentou, também trabalha para o asseguramento operacional, investindo nas infra-estruturas e nos recursos humanos para haver excelência no domínio da técnica e da ciência militar.

“Trata-se de um esforço ingente, mas necessário”, frisou João Lourenço, destacando a parceria privilegiada de vários países amigos, entre os quais a China, “com quem temos acordos assinados no domínio da Defesa e das respectivas Forças Armadas, com predominância para o Acordo de Cooperação no domínio da Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional.

O ministro da Defesa Nacional afirmou que existem progressos no processo de reequipamento das Forças Armadas, em todos os seus ramos, com meios técnicos que potencializam sobremaneira a sua capacidade de defesa e a sua acção onde forem chamadas a intervir.

A nível da região central e austral de África, João Lourenço disse que Angola não se tem poupado a esforço para o alcance de uma paz efectiva e duradoura na região dos Grandes Lagos.

Para a resolução urgente dos diversos conflitos que o planeta enfrenta, como o terrorismo e a imigração ilegal, João Lourenço entende que Angola e a China devem primar por uma permanente troca de informações, dinamização e harmonização dos mecanismos de segurança, visando a consolidação da paz e da estabilidade mundial.
O ministro da Defesa chinês, Chang Wanquan, disse que a sua visita a Angola tem como objectivo a implementação dos consensos estabelecidos entre os Chefes de Estado dos dois países para impulsionar, com maior profundidade, os laços de cooperação entre as Forças Armadas angolanas e as chinesas.

Entendimentos na Defesa

Uma delegação militar chefiada pelo chefe do Estado-Maior-Adjunto general Egídio de Sousa Santos esteve em Maio na China para ampliar a cooperação com as diversas instituições militares daquele país. A delegação militar, que integrou vários oficiais generais, teve encontros com diferentes chefias militares da China, com destaque para a reunião com o membro da Comissão Militar Central e director do Departamento de Trabalho Político da Comissão Militar Central da China, general Zhang Yang. (Jornal de Angola)

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