Casa, água, luz e gás leva 32% do dinheiro das famílias

(Foto: António Henriques)

As famílias portuguesas gastaram, em média, 20.363 euros por ano, de acordo com os dados definitivos do Inquérito às Despesas das Famílias 2015/2016 divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta segunda-feira. Quase um terço da despesa (32%) foi em habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, cerca de 6.501 euros por ano. Há 15/16 anos, ou seja, em 2000, as famílias gastavam apenas 20% do seu rendimento com habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis, indica este mesmo estudo.

“Em conjunto, as três principais componentes da despesa (habitação, alimentação e transportes) concentravam 60,3% da despesa total anual média das famílias residentes em Portugal em 2015/2016 ou seja mais 3,3 pontos percentuais (p.p.) relativamente ao início da década (57%)”, diz o INE. A casa e os consumos associados são, desde sempre, a maior despesa das famílias. Logo a seguir vem a rubrica alimentação e bebidas não alcoólicas, que leva 14,3% do rendimento (2.914 euros). Os gastos em transportes representam 14,1% da despesa total (2.863 euros).

No entanto, no global, as famílias estão a gastar menos face há cinco anos, altura em que foi conduzido o inquérito anterior. “A despesa total anual média dos agregados familiares foi de 20.363 euros menos 28 euros do que a despesa média obtida em 2010/2011 (20.391 euros).” Ter crianças aumenta despesa em 44% O INE informa ainda que as famílias com crianças dependentes gastam, em média, cerca de 25.254 euros por ano), mais 44% do que a despesa dos agregados sem crianças (gasto anual de 17.494 euros). As famílias de Lisboa e das áreas urbanas são mais gastadoras do que as restantes.

“Apenas o valor da despesa anual média da Área Metropolitana de Lisboa (23.148 euros) ultrapassava a média da despesa nacional (20.363 euros).” “O valor médio mais baixo situava-se em 16.856 euros”, nos Açores. “Também as regiões Norte (com 19.928 euros), Centro (18.875 euros), Alentejo (17.798 euros) e a Região Autónoma da Madeira (18.204 euros), apresentavam valores médios de despesa total inferiores à média global.” Além de Lisboa, apenas o Algarve ficou acima da média nacional, com uma despesa anual de 20.459 euros.

Auto-consumo e recebimento em géneros aliviam pobreza Relativamente a 2014, o INE refere que as formas de rendimento não monetário, como auto-consumo, auto-abastecimento, recebimento em géneros, etc., ajudaram a atenuar a pobreza e a exclusão social, bem como a desigualdade, representando mais de 22% do rendimento global das famílias em Portugal. “Os rendimentos não monetários tiveram em 2014 um papel “equalizador” e de atenuação do fenómeno da pobreza e da exclusão social. Os rendimentos não monetários, correspondentes a auto-consumo, auto-abastecimento, auto-locação e recebimentos e salários em géneros, com um peso de 22,2% no rendimento total das famílias, permitiram uma redução de 3,4 p.p. no coeficiente de Gini e de 3,3 p.p. na taxa de risco de pobreza em 2014.” (Dinheiro vivo)

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