África e Europa discutem crise migratória

Imigrantes no Mediterrâneo (DR)

MAIS de 200 migrantes foram resgatados esta semana de frágeis embarcações à deriva no Mediterrâneo, em operações coordenadas pela guarda costeira italiana. Mais de dois mil migrantes já morreram desde o início do ano no Mediterrâneo, ao tentarem chegar à Europa.

Ministros africanos e europeu do Interior abordaram terça-feira em Túnis aspectos orientados a regular o fluxo migratório entre os dois continentes, principalmente ao largo da rota do mar Mediterrâneo a partir da Líbia.

Numa declaração emitida na capital da Tunísia, os titulares expressaram o seu acordo com um enfoque multidimensional da crise, que inclui informação sobre as pessoas, os riscos da migração ilegal e a possibilidade de retorno voluntario aos países de origem.

Também se referiram às acções contra os traficantes de seres humanos.

Nesse intercâmbio oficial participaram ministros de Interior da Argélia, Áustria, Chade, Egipto, França, Alemanha, Itália, Líbia, Mali, Malta, Níger, Eslovénia, Suíça, Tunísia e Estónia, que agora ocupa a presidência do Conselho da União Europeia (UE).

Cerca de 84 mil migrantes chegaram a Itália por mar no primeiro semestre de 2017, cerca de 20 por cento mais que em igual período do ano passado.

A reunião de Túnis centrou-se na Líbia, declarou o ministro francês do Interior, Gerard Collomb, já que 95 por cento dos migrantes que cruzam o Mediterrâneo para a Europa saem deste país.

Collomb considerou que a insegurança persistente na Líbia agrava o problema. “Enquanto não houver um Governo estável, o controlo deste fluxo não pode ser assegurado”, afirmou.

O chefe do Governo italiano, Paolo Gentiloni, declarou ontem que o chefe do Governo de Acordo Nacional (GNA) líbio, reconhecido pela comunidade internacional, Fayez al-Sarraj, pediu a ajuda de navios italianos em águas territoriais líbias para lutar contra o tráfico de seres humanos.

O Primeiro-ministro italiano reuniu-se ontem em Roma com al-Sarraj.

Um acordo entre as autoridades de Tripoli e o Governo italiano que permita a intervenção de unidades navais italianas em águas territoriais líbias poderá ter impacto na redução do fluxo de migrantes na rota do Mediterrâneo central (que sai da Líbia rumo a Itália) (Jornal de Notícias MZ)

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