Zaire: Mais de 100 crianças voltam ao convívio familiar

CENTRO GIORGIO ZULIANELLO (FOTO: PEDRO MONIZ VIDAL)

Cento e 49 crianças com necessidades especiais de protecção que se encontravam a residir no centro de acolhimento e formação profissional “Frei Giorgio Zulianello”, em Mbanza Congo, província do Zaire, voltaram ao convívio familiar nos últimos cinco anos.

A informação foi prestada quinta-feira, à Angop, pelo director provincial da Assistência e Reinserção Social, Manuel José António, que avaliou positivamente o actual estado de protecção da criança na região.

Explicou que, no âmbito dos 11 compromissos assumidos pelo governo angolano para com a criança, as autoridades locais trabalham na reunificação familiar dos restantes menores que ainda permanecem no centro de acolhimento, em parceria com a igreja católica local.

Narrou o episódio de três jovens de 22 anos de idade cada, que entraram no centro quando tinham apenas três anos de idade, e que ainda procuram pelos seus progenitores, tendo deixado o centro de acolhimento após completarem 18 anos de idade, faixa etária limite para a permanência na instituição.

“As autoridades governamentais atribuíram kits de reintegração social a estes jovens e residências, no projecto de casas evolutivas da localidade de Mbanza Mazina”, ressalvou.

Lembrou, por outro lado, que no âmbito da parceria estabelecida entre o centro de acolhimento e a Fundação José Eduardo dos Santos (FESA), 10 jovens do sexo masculino, que haviam concluído o seu ensino médio enquanto se encontravam na instituição, beneficiaram de bolsas de estudos externas.

Precisou que, oito destes foram prosseguir a sua formação académica na República Federativa do Brasil e dois outros na República Popular da China, com perspectiva de ainda este ano seguirem quatro bolseiros saídos do centro para os mesmos países.

Referiu-se também ao processo de adopção de um casal de irmãos, em 2014 e 2016, por um casal de nacionalidade italiana, bem como a tutela de outras oito crianças para posterior adopção, por nacionais.

Num outro desenvolvimento, o responsável falou ainda sobre 12 menores da República Democrática do Congo (RDC), que foram acolhidos em dois períodos diferentes ao longo dos últimos oito meses no aludido centro de acolhimento, cuja localização das respectivas famílias afigura-se difícil.

Explicou que algumas destas crianças, de ambos os sexos, foram abandonadas nos postos fronteiriços de Angola com o país vizinho e outras nos controlos policiais destacados ao longo da estrada nacional Mbanza Congo/Luanda, supostamente por traficantes.

“A direcção provincial da Assistência e Reinserção Social tentou por várias vezes, mas sem sucessos, contactar as autoridades governamentais da região fronteiriça do Congo Central (RDC) para a possibilidade de reunificação destes menores”, lamentou.

O projecto de acolhimento de crianças desamparadas, em Mbanza Congo, existe desde 2002, com o intuito de acolher e proteger menores que na altura tinham sido abandonados pelos próprios progenitores que os acusavam de prática de feitiçaria.

Inaugurada em 2010, a instituição para além de amparar, proporciona também formação em artes e ofícios em serralharia, carpintaria e informática aos menores.

Actualmente, 64 menores, dos quais 13 do sexo feminino, com idades entre um e 17 anos, encontram-se neste estabelecimento tutelado pela direcção provincial da Assistência e Reinserção Social, sob gestão dos padres Capuchinhos da Igreja Católica. (ANGOP)

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