Porto Rico decide seus futuros laços políticos com os EUA

Cartazes de plebiscito em Porto Rico (Afp/ Ricardo ARDUENGO)

Tornar-se o 51º estado dos Estados Unidos, declarar independência ou manter o status quo: os porto-riquenhos votam neste domingo em um plebiscito não vinculativo sobre o futuro político da ilha.

Cerca de 2,2 milhões de cidadãos estão habilitados para a consulta convocada pelo governador Pedro Rosselló e boicotada pelos seus adversários.

Porto Rico é uma ilha do Caribe que os Estados Unidos tomaram da Espanha em 1898. Em 1952, Washington conferiu à ilha o estatuto de “Estado livre associado”, o que lhe dá alguns direitos nos Estados Unidos, como a cidadania e liberdade de movimento e também alguma autonomia.

Porto Rico atravessa há uma década uma grave crise económica. A ilha vivia das grandes empresas atraídas por isenções fiscais, mas esses benefícios foram abolidos em 2006, dando início à queda livre.

Hoje, 46% dos seus 3,5 milhões de habitantes vivem na pobreza. A ilha está dizimada por uma dívida de mais de 70 biliões de dólares que não pode honrar e no mês passado caiu na maior falência de uma entidade americana.

Washington passou a supervisionar suas finanças, mas não mostra vontade de resgatar Porto Rico, entre outras coisas, porque não é propriamente um estado da União.

Rosselló, do Partido Progressista Novo (PNP), proclama uma integração plena aos Estados Unidos para estar em pé de igualdade com outros estados.

Ele defende sua posição dizendo que “a injecção de dinheiro do governo federal iria resolver a crise económica”, segundo Edwin Meléndez, director do Centro de Estudos de Porto Rico no Hunter College, em Nova York.

Mas “metade da população, ou mais, acredita que isso não vai acontecer porque o Congresso americano está relutante em liberar mais dinheiro”, explica.

Além disso, Washington não vai prestar atenção ao resultado, “porque o plebiscito não é vinculativo (…) e, acima de tudo, porque carece de legitimidade” em razão do boicote.

A consulta é a quinta desde 1967 e é boicotada pelo Partido Popular Democrático (PPD), que defende o status actual, bem como pelo Partido porto-riquenho da Independência (PIP), que a considera “uma farsa”.

Especialistas esperam uma participação abaixo dos 600.000 eleitores, já que o PPD e o PIP exortaram seus seguidores a não votar.

A consulta teve início às 08h00 (9H00 de Brasília) e vai até 15H00 (16H00 de Brasília). Os resultados são esperados às 22h00 GMT (19h00 de Brasília), de acordo com as autoridades eleitorais.

Michelle Sierra, partidária da plena anexação de Porto Rico, afirma que optou pela “anexação porque merecemos um futuro melhor e os meus filhos merecem um futuro melhor”.

“Nós, como povo, precisamos dessa injecção (económica) como outros estados” para lidar com a crise fiscal, acrescentou.

Sob o status atual, os porto-riquenhos são cidadãos americanos, mas não podem votar em eleições presidenciais, a menos que residam no continente.

O povo da ilha pode entrar e deixar livremente os Estados Unidos e as duas economias estão intimamente ligadas.

Mas os porto-riquenhos são representados no Congresso por apenas um comissário com voz, mas sem voto; e Washington tem a última palavra em assuntos de seus territórios.

No último referendo em 2012, a maioria dos eleitores disse estar descontente com o status atual. Mas desde então nada mudou e Rossello quer tentar novamente. (Afp)

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