Polícia anuncia 30 mortes confirmadas no fogo de Londres. Número pode subir para uma centena

(DR)

Dezenas de pessoas continuam por encontrar na torre Grenfell.

Confrontado esta quinta-feira pelos jornalistas com a pergunta se era de esperar que o balanço de vítimas mortais em Londres pudesse passar dos 100, o comandante da polícia de Londres tentou ser optimista. “Gostava de ter esperança de que não vamos chegar aos três dígitos”.

O desejo pode estar seriamente comprometido. Continuam a surgir relatos de famílias inteiras das quais não há notícia e todos esperam que as 17 vítimas mortais confirmadas oficialmente sejam um número muito provisório. O jornal The Sun compilou dados e chegou a uma lista de 65 pessoas dadas como desaparecidas ou que se teme estarem mortas dentro da torre. Outros jornais contam histórias arrepiantes de famílias que não sabem de um filho, de um irmão, de um pai ou o uma mãe.

A polícia admite que não seja possível identificar todas as vítimas, dado o estado de carbonização dos corpos e a falta de informação sobre quem habitava no prédio onde viveriam cerca de 600 pessoas. Investigação criminal Depois de a primeira-ministra Theresa May ter anunciado uma “investigação pública profunda” ao que se passou, esta sexta-feira a polícia diz que abriu um inquérito criminal ao incêndio. Entre os sobreviventes cresce a raiva para com as condições do prédio, que tinha acabado de receber obras de remodelação, que deram à fachada um novo revestimento. Que é precisamente o factor apontado como causador da rápida propagação do fogo.

Foram usados painéis sem componentes anti-fogo, e especialistas dizem que a forma como as chamas subiram tão rapidamente se deve ao material usado para cobrir o edifício.

Uma morador da conta ao Telegraph a sua raiva. “Puseram o novo revestimento porque o nosso prédio era desagradável para a vista daqueles que vivem nas casas caras”. O condomínio de habitação social fica no meio de um bairro chique, onde vivem os mais abastados de Londres.

Na hora da emergência, os alarmes não tocaram e o caos mergulhou.« Lily Allen critica “microgestão do luto” A cantora Lily Allan, que vive no bairro e mantám contactos frequentes com a comunidades, dá voz à frustração que se sente perante o que tem sido divulgado pelas autoridades. “O governo está a fazer uma microgestão do luto”. Diz que os relatos que lhe chegam – da comunidade e também de polícias e bombeiros – põem o balanço de vítimas mortais acima de 150 mortos e também critica os media: “Nunca na minha vida vi um evento como este, em que a contagem de mortos esteja a ser menosprezada pelos media. (Correio da Manhã)

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