Partidos da oposição debatem-se com forte máquina eleitoral do MPLA

Lindo Bernardo Tito vice-presidente da CASA-CE (DW)

É notório o desequilíbrio em meios, nomeadamente financeiros, entre o MPLA, partido no poder e os outros, na campanha para as eleições gerais em Angola, marcadas para agosto próximo.

Em Angola, os partidos políticos na oposição concorrentes às eleições gerais multipartidárias, as quartas no país, a ter lugar no dia 23 de agosto, debatem-se com a falta de recursos financeiros para suportar as suas campanhas eleitorais.

A maioria da oposição alega que as verbas atribuídas pelo Estado são no mínimo irrisórias.

No sentido de realizar uma campanha eleitoral condigna, perante a gigantesca máquina eleitoral do MPLA, o partido no poder, o maior partido na oposição, a UNITA, lançou um apelo aos seus militantes e simpatizantes para a recolha de donativos, ao mesmo tempo, que a CASA-CE e o PRS acusam o MPLA de estar a usar dinheiros públicos para suportar a sua campanha.

Em entrevista à DW Africa, o presidente da Bancada Parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Jr., afirmou que a campanha desigual levada acabo pelo partido do regime foi um dos motivos que levou a UNITA a lançar o grito de socorro.

“Nós temos infelizmente a partir do próprio Estado e das instituições governamentais também uma absoluta intervenção desigual. Foi aprovada uma verba para os partidos todos, mas quem quiser agarrar numa esferográfica e acompanhar a campanha do candidato do regime vê que essa verba até esse momento no mínimo foi duplicado por 20, no mínimo”.

Costa Jr. vai mais longe nas suas afirmações acusando mesmo João Lourenço, candidato do MPLA, de estar a usar os dinheiros públicos para realizar as inúmeras atividades que o partido no poder vem protagonizando nas últimas semanas um pouco por toda Angola.

“Quando o candidato do regime, promove encontros nas províncias, quando usa a força área, onde usa comboios, onde usa autocarros de empresas públicas, quando usa e abusa dos tempos de antena e da comunicação diferenciada em relação aos outros, se fizer contas, dos tempos de antenas extraordinários, dos diretos, se fizer contas dos telejornais que temos contabilizados alguns (que são de duas horas e meia), só isso, multiplicados pelos tempos nobres dá umas centenas de milhões de dólares.”

Orçamento para dificultar a oposição

Por seu turno, o secretário-geral do Partido de Renovação Social (PRS), Rui Malopa, queixou-se igualmente do parco orçamento atribuído pelo Governo. O dirigente renovador social, desconfia que o referido orçamento foi aprovado de forma dificultar a campanha dos partidos na oposição.

“Para o partido no poder quanto menos valor colocar nos partidos políticos melhor para si, porque já, ele é partido na situação, tem todo os meios a sua disposição, incluindo os meios do Estado e para os partidos na oposição já não é assim. Temos que convir que as dificuldades são maiores.”

Para Lindo Bernardo Tito, vice-presidente da CASA-CE, as verbas atribuídas nem sequer servem para suportar os custos com os delegados de listas. “Esses valores que foram atribuídos nem sequer corresponde aquilo que pode ser o suporte com os delegados de listas. O que mostra claramente que o Governo do MPLA não é sério, não é honesto, e não está interessado na democracia.”

A DW contactou o secretário para informação do MPLA, Mário António, sem sucesso.

9.317.294 angolanos poderão votar

Angola contará com 9.317.294 eleitores nas eleições gerais de agosto, segundo dados oficiais que o Ministério da Administração do Território entregou à Comissão Nacional Eleitoral.A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votados é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições de 2012.

Pela UNITA, a lista pelo círculo nacional é encabeçada por Isaías Samakuva, presidente do partido e que concorre desta forma à eleição, por via indireta, para Presidente da República. Pela APN, a lista é liderada por Quintino Moreira, seguindo-se Benedito Daniel, líder e cabeça-de-lista do PRS.

João Lourenço, vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa, lidera a lista do partido, concorrendo assim à sucessão de José Eduardo dos Santos, chefe de Estado e que, ao fim de 38 anos no poder, já não vai a votos.

Pela FNLA concorre, como cabeça-de-lista, o líder do partido, Lucas Ngonda, e pela CASA-CE avança Abel Chivukuvuku, líder e cabeça-de-lista daquela coligação. (DW)

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