Organização dos Estados Americanos sem consenso sobre a crise na Venezuela

A Assembleia-Geral da OEA foi inaugurada na noite de segunda-feira e decorre até quarta-feira (MIGUEL GUTIERREZ/EPA)

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização dos Estados Americanos (OEA) suspenderam, na segunda-feira, a reunião de consulta sobre a crise na Venezuela ao falharem em obter os 23 votos necessários para aprovar uma resolução.

Depois de uma sessão de quatro horas e de um intervalo de aproximadamente 60 minutos, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Guatemala, Carlos Raúl Morales, propôs a continuidade da reunião “em data a determinar” através da via diplomática.

“Temos que continuar o diálogo” para tentar chegar a um consenso, afirmou Carlos Raúl Morales, que declarou a sessão da OEA suspensa depois de nenhum dos países membros ter manifestado a sua oposição.

Nenhuma das duas declarações sobre a crise na Venezuela, apresentadas durante a reunião de chefes da diplomacia da OEA, realizada na segunda-feira na estância balnear de Cancún, no México, antes da abertura da 47.ª Assembleia-Geral da OEA, obteve os 23 votos necessários.

A proposta negociada por um amplo grupo de países que pedia a reconsideração da Assembleia Constituinte da Venezuela, fracassou, registando 20 votos a favor, oito abstenções, cinco contra e uma ausência (a da própria Venezuela).

A outra iniciativa, de São Vicente e Granadinas, que oferecia uma versão menos crítica relativamente ao Governo do Presidente Nicolás Maduro, granjeou apenas oito votos a favor, 11 abstenções, 14 contra e uma ausência (também da Venezuela).

Inicialmente, estava prevista que apenas a proposta negociada pelo amplo grupo de países fosse submetida a votação, e Morales, que preside à reunião, tinha garantido que esse texto tinha o número suficiente de apoios para seguir em frente.

Além disso, o chefe da diplomacia da Guatemala tinha afirmado que a proposta de São Vicente e Granadinas, em nome da Comunidade do Caribe (Caricom) tinha sido retirada, tal como outro texto, o mais crítico dos três, impulsionado por Estados Unidos, México, Canadá, Panamá e Peru.

Contudo, após uma pausa de mais de uma hora para analisar a proposta sobre a Constituinte — que teoricamente contava com os apoios suficientes –, Morales submeteu à votação esse texto, bem como o da Caricom.

Para ser aprovado um texto na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros é necessário o voto de 23 países, dois terços dos 34 estados representados na reunião (todos os do continente, à excepção de Cuba).

A reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros de segunda-feira retoma a realizada, em 31 de maio, em Washington, a qual foi suspensa, ao fim de cinco horas, perante a impossibilidade de acordo entre as duas propostas apresentadas.

A Assembleia-Geral da OEA foi inaugurada na noite de segunda-feira pelo Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e decorre até quarta-feira. (Observador)

por Lusa

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