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Human Rights Watch denuncia isolamento do ex-presidente Morsi do Egipto
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Human Rights Watch denuncia isolamento do ex-presidente Morsi do Egipto

O ex-presidente do Egipto está isolado na prisão, sem visitas de advogados ou familiares. A Human Rights Watch denunciou as condições a que Mohamed Morsi tem estado sujeito.

O ex-presidente egípcio Mohamed Morsi continua praticamente isolado na prisão, sem visitas de advogados ou de familiares, apesar da deterioração do estado de saúde, denunciou a Human Rights Watch esta segunda-feira. A organização de defesa de direitos humanos disse que Morsi recebeu apenas duas “breves visitas” de familiares e advogados desde que foi destituído do cargo de Presidente na sequência do golpe de Estado, em 2013.

Segundo a Human Rights Watch as condições em que Morsi se encontra preso vão contra o direito à defesa das inúmeras acusações judiciais, assim como podem contribuir para o agravamento do estado de saúde do antigo chefe de Estado. Familiares do ex-Presidente disseram à Human Rights Watch que, na primeira semana de Junho, o político, de 68 anos, desmaiou duas vezes e sofreu um ataque de diabetes.

O director-adjunto da Human Rights Watch para o Médio Oriente e Norte de África refere em comunicado que a situação em que se encontra Mohamed Morsi é um exemplo “das terríveis condições em que se encontram milhares de presos políticos no Egipto”.

A mulher e uma filha de Morsi foram autorizadas a visitar o ex-presidente durante 30 minutos no passado dia 4 de Junho, pela primeira vez, desde Novembro de 2013, mas os restantes quatro filhos não foram autorizados a visitar o pai. No dia 4 de Junho, as autoridades também autorizaram a entrada de um advogado – durante 10 minutos – tratando-se da primeira visita de carácter judicial desde Janeiro de 2015.

Morsi foi condenado à morte por, alegadamente, ter tentado fugir, tendo sido depois sentenciado a cadeia perpétua, que no Egipto corresponde a 25 anos de prisão, por conspiração e espionagem. Ambas as acusações foram anuladas depois de os advogados terem apresentado um apelo a um tribunal do Cairo que ordenou a repetição do julgamento.

Três jornalistas e outras sete pessoas foram também condenadas num outro caso de espionagem relacionado com a entrega ao Qatar de documentos sobre segurança de Estado, em 2012. Um outro tribunal condenou Morsi a 20 anos de cadeia no caso sobre uso de violência policial que causou a morte a vários manifestantes durante os protestos de 2012, frente ao Palácio Presidencial de Itihadiya, no Cairo, e que marcaram o início do afastamento do Presidente.

Morsi é membro da Irmandade Muçulmana, organização que conseguiu o poder após a vitória nas eleições de 2012 no Egipto, tendo sido declarada como organização terrorista após o golpe de Estado, um ano depois. (Observador)

por Lusa

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