Fretilin é o partido mais apoiado em Timor-Leste mas há 46% de indecisos – sondagem

Panorâmica da cidade de Díli, capital de Timor Leste (Foto: D.R)

Uma crescente fatia da população timorense não está associada a qualquer partido político e quase metade ainda não sabe em quem votará nas legislativas de 22 de julho, sendo a Fretilin o partido mais apoiado, segundo uma sondagem.

A sondagem, cedida à Lusa pelo International Republican Institute (IRI), indica que 28% dos inquiridos votaria na Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin), à frente do Congresso Nacional de Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão.

Em terceiro surge o Partido Democrático (PD) que tem apoio de 5% dos inquiridos, com 2% a dizerem que apoiam o Partido de Libertação Popular (PLP), liderado pelo ex-Presidente Taur Matan Ruak.

A poucos dias do arranque da campanha (começa a 20 de junho), 46% da população diz que ainda está indecisa sobre em quem votar, valor próximo dos 43% que dizem não estarem associados a qualquer partido político.

Dimitar Stojkov, director do IRI, disse à Lusa ter ficado surpreendido como o elevado número de indecisos, em especial no rescaldo das recentes eleições presidenciais e porque representa um valor três vezes maior do que o registado em novembro do ano passado.

A região com mais indecisos é Aileu (74%) – foi a região com participação mais elevada nas presidenciais – seguindo-se Manufahi e Covalima (ambos com 67%), e a com menos foi Liquiçá (33%), o município onde o Presidente Francisco Guterres Lu-Olo (apoiado pela Fretilin e CNRT) teve pior resultado.

Questionados sobre quem mais apoiam entre os líderes nacionais, os indecisos referiram maioritariamente Xanana Gusmão, que continua a ser o mais apoiado (67%), à frente de Lu-Olo (10%), José Ramos-Horta (5%) e Taur Matan Ruak (3%).

Mais de 70% dos inquiridos admite que não consideraria votar noutro partido.

A sondagem mostra que a Fretilin é o partido mais ativo no terreno, sendo ações partidárias suas reconhecidas por 65% dos inquiridos, bastante à frente do CNRT (12%), do PD (7%) e do Khunto (2%).

Os inquiridos destacam as políticas dos partidos (43%), o seu significado histórico (18%) e o facto de se terem sacrificado pelo país (15%) como principais fatores para oa apoiarem.

Noutro âmbito, uma ampla maioria (68%) considera “muito importante” que haja uma oposição forte no Parlamento Nacional – aparentemente questionando assim o modelo de quase consenso que tem marcado os últimos anos.

No que se refere à transição geracional – um dos temas mais debatidos no palco político em Timor-Leste – a maioria diz que apoia muito (31%) ou apoia em parte (24%) a ideia de que está na altura dos mais velhos cederem a liderança do país.

Ainda assim, só 39% considera que os jovens são capazes de ser líderes de partidos políticos, sendo que os que apoiam essa mudança destacam a capacidade para liderar o país e novas ideias como as principais vantagens dos mais jovens.

Mais de 76% não consegue identificar o líder jovem que considera mais favorável, sendo que o que merece nota mais positiva é Mariano Sabino (presidente do PD), destacado por 8% dos inquiridos.

A sondagem refere que, apesar dos esforços do Governo e das autoridades eleitorais, STAE e CNE, a maioria dos timorenses precisavam de mais informação sobre aspetos como o recenseamento e o voto nas presidenciais de 20 de março.

A televisão foi apontada como a principal fonte de informação (59%) sobre as eleições, à frente de diálogos pessoais (13%) e da rádio (11%)

No que toca aos conteúdos políticos, a televisão foi a principal forma de contacto dos candidatos (31%) à frente de encontros cara a cara com os políticos (27%), sendo que 70% disse ter recebido muita (34%) ou suficiente (36%) informação.

A sondagem mostra que ampla maioria (88%) acha que a eleição foi justa e livre e revela que apesar da preocupação com eventual violência (68%) quase todos (96%) dizem não ter havido qualquer ato violento.

A maioria (53%) volta a mostrar “muita preocupação” sobre a possibilidade de violência em torno ao próximo ato eleitoral mas 90% diz-se livre para expressar a sua opinião política.

Mais de metade da população (52%) teve que se deslocar para poder votar – o voto tem que ser exercido no local onde foi feito o recenseamento – o que mostra o impacto que a jornada da votação tem no país.

A sondagem foi realizada por equipas da Insight supervisionadas pela Chariot Associates e o Center for Insights in Survey Research e o International Republican Institute entre os dias 17 de Abril e 14 de Maio.

As equipas ouviram 1.200 pessoas em entrevistas pessoais conduzidas nos 13 municípios de Timor-Leste recorrendo a um processo estratificado, sendo a confiança de 95% e a margem de erro de mais ou menos 2,8%. (Diário de Notícias)

por Lusa

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