Ler Agora:
Cientistas criam medicamento com veneno de cobra para prevenir tromboses
Artigo completo 3 minutos de leitura

Cientistas criam medicamento com veneno de cobra para prevenir tromboses

Cientistas criaram um medicamento mais seguro para prevenir tromboses a partir de veneno de cobra, revela um estudo divulgado pela Associação Americana do Coração.

Trata-se de um fármaco da classe de medicamentos que impedem a activação e aglomeração de plaquetas (células sanguíneas) e a formação de coágulos, sendo usados para prevenir tromboses cerebrovasculares ou a doença cardiovascular. Os medicamentos anticoagulantes actuais, alguns dos quais baseados também em veneno de cobra, têm um efeito secundário grave, o que de poder causar hemorragia prolongada após um ferimento.

Investigadores da Universidade Nacional de Taiwan desenvolveram o novo medicamento para interagir com uma proteína, a glicoproteína VI, localizada na superfície das plaquetas. Num estudo anterior, a equipa descobriu que uma proteína existente no veneno de uma espécie de cobra, a “Tropidolaemus wagleri”, da família das víboras e nativa do sudeste asiático, estimula as plaquetas a formarem coágulos no sangue ao ligarem-se à glicoproteína VI.

Trabalhos precedentes concluíram que plaquetas sem a glicoproteína VI não formam coágulos em doentes e não conduzem a hemorragias graves, o que levou os cientistas a pensarem que o bloqueamento da ação da glicoproteína poderia prevenir o aparecimento de coágulos e evitar os efeitos das hemorragias prolongadas.

O novo estudo, divulgado esta quinta-feira, pode ser o primeiro a descrever uma molécula baseada na estrutura de uma proteína específica do veneno de cobra (a proteína tem o nome científico de “trowaglerix”) para bloquear a atividade da proteína da superfície das plaquetas.

A equipa científica da Universidade Nacional de Taiwan administrou o novo medicamento a ratos e observou que a formação de coágulos era mais lenta quando comparada com a de roedores que não foram tratados com o fármaco. Além disso, verificou que os ratos medicados não sangravam mais do que os ratos do grupo de controlo.

Os investigadores pretendem otimizar os efeitos do fármaco – para que interaja apenas com a glicoproteína VI e não com outras proteínas e assim evitar reações indesejáveis – e testá-los de novo em animais, mas também em pessoas.

Alguns dos medicamentos anticoagulantes atuais têm como alvo outras proteínas, as glicoproteínas IIb/IIIa, e baseiam-se numa outra proteína de veneno de cobra, mas podem provocar hemorragias, um efeito adverso para o qual os cientistas da universidade de Taiwan não encontraram ainda uma explicação. O estudo foi publicado na revista Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology, editada pela Associação Americana do Coração. (Observador)

por Lusa

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos com são obrigatórios *

Input your search keywords and press Enter.
Translate »